Estante da Sala

Rocketman (2019)

Uma história de ascensão, queda e ressurgimento. O drama de um homem que queria ser amado, sem saber que já o era. A história do jovem talentoso que precisa encontrar a si mesmo para alcançar o sucesso. Por fim, uma cinebiografia de um artista consagrado. Se tentarmos, é fácil conseguir encaixar Rocketman em determinados tropos narrativos que já nos preparariam para um filme certo, um filme esperado, um filme que já conhecemos de outro lugar. Mas ele não é nenhum desses filmes. Com roteiro de Lee Hall e direção de Dexter Fletcher, é uma explosão de vigor e de desconstrução

Nasce uma Estrela (A Star is Born, 2018)

É fácil encontrar na internet um vídeo de Stephanie Germanotta aos dezenove anos tocando piano e cantando uma música de sua autoria: os pés descalços no pedal, o cabelo naturalmente castanho, o vestido sem glamour, a voz intensa e a entrega de um talento cru, mas patente. A jovem mostra domínio sobre a arte que cria, ainda que sem os elementos de polidez que a tornam vendável. Alguns anos depois, rebatizada Lady Gaga, se tornou mais que cantora e compositora: é uma performer, uma artista que cria uma fantasia de si a cada aparição pública, arrebatando fãs nesse processo. Gaga é um

As Boas Maneiras (2017)

Publicado originalmente em 3 de novembro como parte da cobertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Juliana Rojas e Marco Dutra já há muito mostram que em se tratando de cinema de gênero, eles sabem o que estão fazendo. Os curtas já eram um indício, mas o longa Trabalhar Cansa foi a confirmação, bem como os trabalhos solo em Sinfonia da Metrópole e Quando Eu Era Vivo. Sempre mesclando o terror com outros gêneros, aqui trazem uma fábula sobre trabalho, cidade, relacionamentos e, claro, maternidade: temas que já haviam sido trabalhados em filmes anteriores. Ana (Marjorie Estiano) é

A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 2017)

Como já diria a canção, um conto tão antigo quanto o próprio tempo: apesar de improvável dois jovens se apaixonam. Em mais uma recriação com atores de uma de suas animações clássicas, a Disney traz ao público novamente A Bela e Fera, dessa vez dirigido por Bill Condon. O pontapé inicial da trama já é conhecida do público: uma feiticeira disfarçada de idosa oferece uma rosa em troca de abrigo a um príncipe em seu castelo. Ele, repudiando a aparência da mulher, expulsa-a e é punido com sua transformação em uma besta de aparência feroz, para que aprenda que a beleza é

La La Land: Cantando Estações (La La Land, 2016)

fico-me perguntando como teria sido se tudo fosse diferente ah, como me inquietam essas histórias passadas como teria sido se não fosse como foi perguntas sem respostas respostas sem perguntas* (I.W.) Filmes musicais são mágicos por excelência. Embora alguns espectadores enxerguem a música como uma quebra de realidade, ela serve justamente para intensifica-la e expandi-la, externando o que é interno aos personagens. Basta pensar em Gene Kelly literalmente cantando na chuva, no filme de mesmo nome, em virtude da alegria de um amor correspondido. La La Land, novo trabalho do diretor Damien Chazelle, embarca nessa proposta trazendo ao público o

A Very Murray Christmas (2015)

https://www.youtube.com/watch?v=mJde8HWcnSU A Netflix continua minerando os dados de seus usuários e, de alguma forma, chegou conclusão que as pessoas que se interessam por filmes da Sofia Coppola e Bill Murray (posssivelmente Encontros e Desencontros?) também gostam de especiais de Natal. É isso mesmo? Bom, de qualquer forma o serviço de streaming produziu A Very Murray Christmas, um musical de temática natalina dirigido por Coppola e estrelado por Murray. O ator interpreta uma versão dele mesmo, rabugento e antissocial, que faria um show especial, mas vê sua platéia vazia graças a uma enorme tempestade de neve em Nova York. Isolado no hotel em

Magic Mike XXL (2015)

Sequência do filme Magic Mike, de 2012, dirigido por Steven Soderbergh, Magic Mike XXL chegou aos cinemas com direção de Gregory Jacobs e com Soderbergh responsável pela fotografia. O primeiro, parcialmente baseado nas experiências do ator Chaning Tatum como dançarino, atraiu uma multidão aos cinemas e arrecadou mais de 15 vezes o que custou, nos Estados Unidos. A sequência, portanto era certa. Acontece que o público que procurou um filme protagonizado por homens strippers (desculpe, “male entertainers”)  encontrou nele uma tentativa de romance convencional, um conto de alerta sobre o mundo das drogas nos bastidores do mercado do sexo e um