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A Vingança Está na Moda (The Dressmaker, 2015)

Adaptado do livro homônimo de Rosalie Ham, A Vingança Está na Moda narra a história de Tilly Dunage (Kate Winslet), uma mulher que retorna a Dungatar, seu vilarejo de origem no interior da Austrália na década de 1950, após anos morando na Europa. Tilly foi afastada ainda criança da cidade sob a acusação de ter assassinado um colega de escola. Volta para casa para cuidar de sua mãe, Molly (Judy Davis), que também é, de certa forma, uma pária na cidade, primeiramente por ter sido mãe solteira e agora por ser considerada louca.

Adulta, Tilly pretende se vingar de todos os que lhe causaram sofrimento no passado. A forma como consegue se aproximar deles é através de seu ofício: costureira com conhecimentos do que há de mais avançado na costura francesa, traja vestidos elegantes e modernos que atraem a atenção dos demais. Mas, mais do que isso, seus trajes ajudam a escancarar o provincianismo da população local, ao mesmo tempo alheia às últimas modas e sedenta por assimilá-las como uma forma de demonstrar superioridade. Embora a protagonista não tenha uma boa imagem na cidade, os demais sabem que precisam dela se quiserem ter roupas vistosas para exibir.

The Dressmaker

Mas Tilly não é mal recebida por todos: o sargento Farrat (Hugo Weaving) se delicia ao avista-la pela primeira vez e reconhecer seu vestido como um new look da Dior, ao que ela prontamente responde que é apenas inspirado, mas quem confeccionou foi ela mesma. Ambos tem em comum o apreço por tecidos bonitos e trajes bem cortados e por isso, além de fatores passados, ele mostra seu apoio.

Mas é Teddy (Liam Hemsworth) o responsável pela recepção mais calorosa, que logo se desdobra em romance. Em um primeiro momento causa estranhamento a escalação do ator, já que seu personagem deveria ter a mesma idade de Tilly. De qualquer forma o romance destoa do restante do filme.

Aliás, o tom do filme, que oscila constantemente, é o seu maior problema. A princípio a trama era para ser repleto de humor ácido, mas este às vezes abre espaço para o já citado romance ou mesmo o drama, sem que a narrativa faça um sentido dessas alternâncias. A diretora Jocelyn Moorhouse parece incerta sobre que tipo filme realmente almeja realizar. Esses fatores, aliados ao roteiro que não se propõe a aprofundar os temas, resultam em uma obra claudicante.

Dito isso, A Vingança Está na Moda não deixa de ser um filme divertido de assistir. Uma parte do deleite provém do figurino, desenhado por Marion Boyce (conhecida pelo ótimo trabalho na série Miss Fisher’s Murder Mysteries). Mas é o elenco, especialmente Kate Winslet e Judy Davis, que consegue dar sabor a um texto que poderia se perder em outra mãos.

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Figurino: Jogos Vorazes: A Esperança- Parte 1

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 26/11/2014.

Em novembro chegou aos cinemas Jogos Vorazes: A Esperança- Parte 1, terceiro filme baseado nos livros de temática distópica de Suzanne Collins. Dirigido por Francis Lawrence, como o anterior, ele estabelece a sua franquia entre os grandes e bons produtos hollywoodianos, uma vez que aprofunda temas pesados e contemporâneos de forma raramente feita em narrativas supostamente juvenis.

Mais uma vez houve troca de figurinista: se no ano passado a responsável foi Trish Summerville (leia aqui a análise do figurino de Jogos Vorazes: Em Chamas), que orquestrou uma composição certeira dos exageros da Capital, dessa vez temos o trabalho minimalista da dupla Kurt & Bart, que recentemente trabalharam em Clube de Compras Dallas e Segredos de Sangue (leia a análise do último aqui), já aqui analisado. Apesar disso, o estilo do figurino apresentado seguiu as linhas deixadas anteriormente e alguns elementos, como os uniformes dos guardas pacificadores e as roupas simples de algodão em tons de cinza e bege utilizadas na maior parte dos Distritos, não foram alterados.

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Dessa vez a moda extravagante sai de cena e entram em seu lugar roupas mais simples e funcionais. A história recomeça pouco depois do fim dos Jogos Vorazes anteriores. Katniss (Jennifer Lawrence), resgatada pelos rebeldes do 13º Distrito, aceita seu papel como Tordo, símbolo da revolução contra a Capital. E no contexto da trama, ela não se faz apenas com armas em punho, mas também através de propaganda. Cinna, antes de morrer, havia deixado prontos croquis de roupas feitas para que ela tenha a imagem adequada de liderança. O traje de combate preto, que permite movimentos amplos, possui reforços nas canelas e nos braços e uma placa peitoral assimétrica, todos na mesma cor. Os ombros recebem tratamento em forma de escamas e nas costas, além das flechas, asas, lembrando seu papel. Cinna obviamente era estilista e não um designer de vestuário de guerra. Além disso, não é esperado que Katniss entre em combate real. Apenas isso explica o formato da placa peitoral, com a curvatura de seios delineada. Embora seja comum tal uso em figurinos, na prática isso só torna a armadura menos segura, pois armas pontiagudas deslizariam e seriam guiadas para o centro do tórax, tornando mais fácil acertar o coração.

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Além da roupa de combate, Katniss veste calças de cintura alta e camisas com bolsos, ambos cinzas. Os trajes são o uniforme de todos os moradores do Distrito 13 e remetem àqueles utilitários usados pelas mulheres americanas trabalhando na 2ª Guerra Mundial. O período é constantemente referenciado através dos figurinos na franquia em virtude da relação que pode ser feita entre o governo de Presidente Snow (Donald Sutherland) e os regimes fascistas de então.

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Mulheres trabalhando na 2ª Guerra Mundial

Mulheres trabalhando na 2ª Guerra Mundial

A cor neutra é proposital, para criar a impressão de falta de individualidade entre os habitantes do Distrito. Essa aparente uniformidade é quebrada por pequenos detalhes: Katniss, por exemplo, nunca vai abotoar todos os botões de sua camisa. Isso demonstra que embora esteja participando dos planos, há um leve desconforto que não a permite se encaixar plenamente.

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Com o uniforme se coloca a questão do bem estar coletivo versus a expressão da individualidade. Effie Trinket (Elizabeth Banks), acostumada que está com a moda exagerada da Capital e a possibilidade que ela lhe dava de sempre se apresentar de forma diferente, não pode aceitar usar um uniforme. As pessoas têm o hábito de se expressarem através das roupas que vestem e mesmo a negação de qualquer forma diferenciada é um posicionamento. Com essa tela em branco em mãos, ela adapta as roupas, transformando-as em outras peças e incrementando com os acessórios que conseguiu manter. Na ausência de suas tradicionais perucas coloridas, usa lenços em amarrações diferentes na cabeça.

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Outro contraste com o padrão uniforme do Distrito 13 são os dissidentes fugidos para se juntar à revolução por causa de Katniss. A diretora Cressida (Natalie Dormer) se destaca, pois suas tatuagens a diferenciam visualmente daqueles que se criaram no distrito.

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Por outro lado, a elite política, representada pela Presidente Coin (Juliane Moore) e seu propagandista Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), apesar de em um primeiro olhar parecer utilizar o mesmo traje dos outros, na verdade não o faz. O colarinho é fechado e o tecido é um pouco mais grosso, garantindo aparência mais estruturada. A camisa de Coin fica por fora da calça, assemelhando-se mais a um paletó. É possível perceber nas cenas em que discursa, que ela tem ombreiras. Sua imagem é mais polida que a dos demais moradores do Distrito: a imagem confiável de uma líder política. Todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

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Se Katniss se torna garota propaganda da revolução em curso, Peeta (Josh Hutcherson) é utilizado pela Capital com a função de dissuadir as pessoas a fazerem parte do levante. Ele participa do programa de televisão de Caesar Flickerman (Stanley Tucci) e em sua aparição apresenta o mesmo estilo que anteriormente utilizava quando em turnê: paletó e acessórioss todos em branco, com formas estruturadas e arquiteturais. Parece que está tudo certo, com exceção de um detalhe: o adorno pontiagudo em sua lapela, que espeta levemente sua garganta enquanto fala. É a pista que o figurino dá para a situação desconfortável em que o personagem foi colocado, como porta-voz de Presidente Snow.

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Na aparição subsequente suas roupas se tornam escuras e mantém um adorno pontiagudo na lapela. Na última, seu blazer é recoberto de rosas e ele segura uma na mão. A flor é o símbolo de Snow e, junto com a mudança no estilo e na cor de sua roupa, além de sua aparência doente, externam o fato de que ele está sendo controlado pelo presidente. Esse traje final é rebuscado de uma forma que o aproxima de Caesar, que, afinal, é um apresentador chapa-branca. Vale lembrar que o próprio presidente não se veste dessa forma e sim de maneira minimalista, com formas simples e apenas a rosa na lapela como adorno. O rebuscamento passa uma imagem frívola que não condiz com aquela desejada por um bom governante.

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Os filmes da franquia Jogos Vorazes sempre contaram com bons figurinistas e uma boa cobertura midiática em relação aos trajes exibidos. O trabalho no primeiro ficou por conta da veterana Judianna Makovsky e no segundo, de Trish Summerville. Esta é um ás da publicidade e os trajes que seriam exibidos na película foram amplamente divulgados antes de sua estreia. Mesmo tendo uma carreira sólida e esse ser um trabalho em uma franquia já plenamente estabelecida, é curioso perceber o quão pouco foi comentado ou divulgado sobre o figurino desenvolvido por Kurt &Bart. Apesar disso, a qualidade do que é exposto continua elevada e a continuidade estética entre os filmes permaneceu. Se nesse jogo de guerra a imagem dos participantes é essencial para a criação de empatia, nada como um bom figurino para ajudar a projetá-la e o de A Esperança- Parte 1 é funcional, tem elementos visuais interessantes, cria pontos pistas importantes na narrativa e faz jus aos seus antecessores.

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Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire/ 2013)

Assistido em 15/11/2013

Post sem spoilers!

Jogos Vorazes: Em Chamas, segundo filme da franquia, teve quase o dobro do orçamento do primeiro: de 78 milhões de dólares passou para 140 milhões. Desses, 10 milhões foram o cachê de Jennifer Lawrence, pois nesse meio tempo ganhou fama e tornou-se oscarizada. Um belo salto em relação aos 500 mil que recebeu no anterior. Mas mesmo assim, a verba extra é perceptível em todas os momentos na produção.

O filme começa alguns meses depois do fim dos Jogos Vorazes. Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) moram em casas contíguas na vila dos vencedores, onde também reside Haymitch (Woody Harrelson). Após encarnarem os amantes trágicos diante de toda a nação e saírem ambos vitorioso, agora eles mal sem falam. Ela voltou às caçadas com Gale (Liam Hemsworth) e tem visíveis sintomas de stress pós-traumático. Ninguém sabe exatamente o que está acontecendo, mas têm a percepção de que algo está mudando por conta da última edição do jogos. As consequências de seus atos são ponto central da trama. Para Katniss isso fica patente quando o Presidente Snow (Donald Sutherland) aparece em sua casa e a avisa que a turnê dos vitoriosos logo se iniciará e que nos distritos muitos não acreditam na história de amor entre ela e Peeta, vendo, sim, um desafio ao poder da Capital. Ameaçando a vida de sua mãe (Paula Malcomson)  e de Prim (Willow Shields), a sua irmã, além da de Gale, Snow quer ter certeza de que ela se esforçará para representar satisfatoriamente a sua relação com Peeta, para não causar mais levantes na turnê dos vitorioso que virá. Apenas lá Katniss e Peeta começam a ter noção da dimensão do que vem acontecendo.

Com um novo gamemaker, Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), a 75ª edição será um Massacre Quartenário, jogo que acontece a cada vinte e cinco anos com regras diferentes. O presidente está decidido a enfraquecer a figura dos tributos vencedores. Assim Plutarch sugere que relembrem que o motivo dos jogos existirem é para mostrar aos distritos o que ocorre com quem se rebela contra a Capital. Os contornos políticos da distopia fortalecem-se.

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Katniss está fragilizada nesse ponto da história. Ela se tornou o símbolo de uma revolução sem ter querido ou percebido. Aqui ela, com o auxílio de Cinna (Lenny Krevitz), liteiralmente encarna o mockinjay. O que ela queria era sobreviver com sua família, mas se viu mergulhar em uma trama complexa que não sabe como lidar. Jennifer Lawrence encarna esse momento da personagem com precisão. Embora eu não tenha concordado com a escalação da atriz para o papel (por trata-se de um embranquecimento da personagem em relação ao livro), não há como negar seu talento.

Gale e Effie Trinket (Elizabeth Banks) tem suas participações ampliadas nesse filme. Ela tem até mesmo o nome mencionado algumas vezes, fato que não ocorreu no primeiro filme. Essa presença é bastante positiva, pois ela nos representa nesse contexto. Ela é o povo da Capital, sedento por coisas bonitas e entretenimento, assim como, ironicamente, a plateia que o assiste. Se ela não tem noção da dimensão política dos acontecimentos, não é por mal: embora alienada, tem bom coração.

Entre os novos personagens, uma surpresa positiva foi o de Finnick Odair (Sam Claflin). Ao ver as fotos do ator na escalação do elenco, não achei ele combinasse com o personagem, mas sua atuação me desmentiu. Além disso, uma cena do livro envolvendo outra personagem nova, Johanna (Jena Malone), que havia comentado no dia anterior que tinha certeza que seria cortada em virtude da classificação etária do filme, não só foi executada, como melhorada.

Aliás, em termos de adaptação, o filme como um todo se saiu muito bem. O livro Em Chamas é fortemente prejudicado por ser o meio da série, além de ter uma parte de trama repetida do primeiro livro.  Para o filme, houve a percepção de que essa parte não funcionaria e houve uma redução considerável, embora não pudesse ser extirpada da trama. (Ainda assim citaria esse como o maior ponto fraco da película). Todas as alterações feitas serviram para melhorar a história e, por vezes, dar mais impacto às ações dos personagens. Levando-se em conta que, como já mencionei, o aumento de recursos transparece na tela, o segundo filme parece melhor que o primeiro, mesmo sendo apenas um elo de ligação.

Sobre os aspectos técnicos, tudo mudou de escala. Os espaços da Capital estão mais grandiosos. A computação gráfica melhorou bastante, embora o fogo ainda não seja realista. Os figurinos estão ainda mais vistosos. Novamente, paguei minha língua. A figurinista do primeiro filme, Judianna Makovsky (de A Princesinha), foi substituída nesse por Trish Summerville (que já havia feito Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, onde abusou de uma estética exagerada que caricaturou a personagem Lisbeth). Aqui ela novamente cometeu excessos, mas que casaram com o contexto da Capital. A fotografia está muito melhor, sem o uso de câmeras tremidas.

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O final do filme deixa claro que muito mais está por vir. Embora tenha escrito para jovens, Suzanne Collins não diluiu os conceitos que norteiam sua trama. A Esperança, o terceiro e mais forte dos livros, será dividido em dois filmes e se o nível da produção permanecer o mesmo, tudo indica que será algo memorável em termos de produto para o público infanto-juvenil (e, porque não, adulto). Em Chamas provou que o aumento da escala da produção apenas beneficiou-a. A verba extra não se perdeu em efeitos especiais vazios, mas possibilitou a execução aprimorada das ideias e a ampliação do senso de urgência e do suspense, pois algo se agita abaixo aparente calmaria.

Quem só queria ler meu comentário sobre o filme, pode encerrar por aqui. Agora vou relatar a experiência antropológica que foi assistir a ele no dia de estreia. O cinema que geralmente frequento abriu uma sala dublada e uma legendada. Dirigi-me sozinha até ele no início da tarde. Todas as sessões dessas salas já estavam esgotadas, mas havia sido aberta uma terceira sala, legendada. Consegui ingresso para o segundo horário, 15:20. Passei nas Americanas para comprar um salgadinho e percebi que o shopping estava lotado de grupinhos de pré-adolescentes e adolescentes. Faltando meia hora para a sessão segui para a sala. Para minha surpresa, era muito pequena: provavelmente a menor sala de cinema que já frequentei na vida. Quando entrei a maioria dos lugares já estavam ocupados e muitos estavam reservados com bolsas e pipocas. Sentei-me próxima ao corredor, no alto, e agucei os ouvidos. À minha esquerda um grupos composto por duas meninas e um menino, com aproximadamente catorze anos, relatavam o segundo livro inteiro! Fiquei com pena de quem assiste o filme sem ler os livros. À minha direita, do outro lado do corredor, um grupelho de cinco meninos com em torno de 10 anos faziam algazarra. Atrás de mim, algumas adolescentes e uma criança muito pequena, que mau sabia pronunciar palavras ainda. Em algum ponto da sala um bebê chorava. (Porque as pessoas levam bebês para sessões que sabem que serão tumultuadas?). Uma das meninas do meu lado tecia comentários apaixonados a respeito de Peeta. A segunda negou veementemente cada frase dela. Alegou que preferia Gale, porque foi o único que lutou pela revolução. Segundo ela, Katniss lutou pela Prim, Peeta, (mais ou menos) lutou pela Katniss e Gale foi o único que lutou por todos. “Você não lembra no primeiro filme, que no começo ele já sugere pra Katniss?”. A primeira, a contragosto, concordou com os argumentos, mas diz ainda preferir Peeta. Os trailers começaram mas foram interrompidos por problema na projeção, que estava sem foco e com som estourado. Alguém no fundo grita “liga pra Net!” e a sala toda cai na gargalhada. Eu já estava meio tensa, pensando que ia me incomodar horrores com essa plateia. Acontece que, assim como eu, a maior parte era composta por fãs. Fãs um tanto mais efusivos e sem controle do que essa quase balzaca que vos escreve, claro, mas fãs. Irritei-me e soltei palavrões quando a menina ao meu lado ATENDEU o celular não uma, mas três vezes! Sua mãe estava a sua procura, aparentemente. Além disso a criança pequena atrás de mim simplesmente não sabia o que estava acontecendo. A cada meia dúzia de cenas ela perguntava “ela morreu? ele morreu?”. Mas no final estava mais engraçado que irritante. O grupo de meninos chamou Ceasar de gay algumas vezes. Fora isso, foi até muito interessante, quase como uma experiência além do filme. É claro que beijos despertaram risinhos. Mas em dois momentos importantes em que eu me contraía com um sentimento de “fuck yeah” na cadeira, o pessoalzinho menos reprimido aplaudiu fervorosamente, o que contribuiu com o clima da cena. Em outros dois momentos, pelo menos metade do cinema ergueu os braços e até mesmo alguém talentoso atrás de mim fez o assovio do mockinjay. Perguntaram-me se eu achava que esse público entendia que não era só uma aventura ou um triângulo amoroso, se percebiam o aspecto político, ainda que leve, na obra. Pelo que ouvi ao meu redor, os mais novos estão alheios e estão lá pela diversão, mas a política certamente faz parte das discussões entre os mais velhos. Geralmente eu sou chata, muito chata, em relação ao comportamento das pessoas no cinema. Quero ver meu filme com silêncio total em torno de mim. Mas nesse caso, em que os próprios livros (e a Jennifer Lawrence) me transformam em fangirl adolescente, em minha opinião, essa experiência coletiva foi extremamente válida, porque é um filme que desperta essa empolgação. É uma geração sortuda (essa e a anterior com Harry Potter), pois a minha não teve nenhum produto cultural para gerar esse tipo de paixão.

Para ler minha análise do figurino de Jogos Vorazes: Em Chamas, acesse aqui.

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