Estante da Sala

A Menina Que Roubava Livros ( The Book Thief/ 2013)

Assistido em 10/02/2014. [youtube=https://www.youtube.com/watch?v=J24AlOYHpVU] Eis um filme que poderia ter sido uma boa “sessão da tarde”, mas pecou no quesito direção. A adaptação do bestseller homônimo de  Markus Zusak, traz Sophie Nélisse interpretando o papel principal, Liesel. A menina é adotada por um casal composto por um homem bonachão e desempregado, chamado Hans (Geoffrey Rush) e uma mulher atarefada e rabugenta, chamada Rosa (Emily Watson). Tudo se passa na Alemanha no período da 2ª Grande Guerra. As decisões artísticas que envolvem a ambientação começam problemáticas aí: geralmente filmes são falados na língua do país que o produziu, independente do local retratado, como

Imitação da Vida (Imitation of Life/ 1934)

Assistido em 09/01/2014. [youtube=https://www.youtube.com/watch?v=GVMFYDBxZr4] Toda obra deve ser analisada dentro do contexto da época. Isso vale para linguagem, técnica e mesmo para o tratamento de personagens. Mas às vezes desligar o olhar contemporâneo torna-se tarefa impossível e foi isso que me aconteceu ao ver a versão de 1934 de Imitação da Vida. Aclamado por ser o primeiro grande filme a abordar questões a respeito de racismo, a incômoda trama não sobrevive sem ser ela mesma considerada racista e condescendente. Ao começo da história Bea (Claudette Colbert) é uma mulher recém enviuvada, com dificuldades financeiras e passando trabalho para cuidar da

Edifício Master (2002) e Um Dia na Vida (2010)

Assistidos em 07 e 08/02/2014. Edifício Master e Um Dia na vida são ambos documentários do diretor Eduardo Coutinho, mas com abordagens quase que opostas. Quando estava em minha graduação em Arquitetura, muito se frisou não só a importância, mas a necessidade de jamais esquecer do fator humano em relação à obra construída. Um edifício só existe por que pessoas o habitarão ou trabalharão nele. Ele existe para ser ocupado e só adquire significação através dessa ocupação. Edifício Master é um mergulho na vida dos moradores do prédio homônimo, localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro. São 12 andares, 276

Figurino: A Arte de Fazer Roupas Retratada no Cinema

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 03/01/2014. Há algumas semanas estreou nos cinemas brasileiros Carrie, a Estranha, nova adaptação do livro homônimo de Stephen King. Na película, a jovem protagonista é convidada para seu baile de formatura e decide ir, contra a vontade de sua mãe. Para tal, precisa de um vestido e costura-o ela mesma. Planejar a peça, desenhá-la, cortar os moldes, perceber o toque e a textura do tecido, sentir a tesoura deslizar por ele gerando um barulho áspero através do suave roçar, alfinetar, dar forma, alinhavar e, por fim, costurar: criar uma roupa é um processo

Figurino: O Bebê de Rosemary

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 18/12/2013. Dirigido por Roman Polanski, O Bebê de Rosemary é um grande clássico do terror, que trabalha com nossas percepções do entorno dos personagens para criar o suspense adequado. O filme é de 1968 e se passa entre 1965 e 1966. A figurinista Anthea Sylbert captou perfeitamente o que acontecia no momento, bem como os subtextos religiosos, para compor a protagonista. Como mencionado no meu texto sobre New Look, em meados da década de 1960 o New Look, caracterizado por cintura marcada e saia rodada, saiu de moda e foi substituído por uma

Livro: A Casa do Poeta Trágico

Texto escrito e originalmente publicado em 19/05/2004,  em um blog já falecido. Tenho lido coisas muito boas. Hoje terminei de ler o livro que dá título ao post, do Carlos Heitor Cony ( Cidade de Deus está beirando o intragável). Valeu a pena! A história tem basicamente dois personagens. Francesca tinha 16 anos quando conheceu Augusto, de 46. Ele logo disse que ela daí para frente não seria mais Francesca, seria Mona, em homenagem a uma tal gioconda. Um romance que começou porque ela queria fugir, fugir de sua vida. Terminou 17 anos depois, sem motivo algum, apenas porque o

Figurino: New Look, Cinema e Mudanças na Sociedade

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 04/12/2013. A década de 1950 geralmente é vista como um período de glamour, em que as pessoas se vestiam com extrema elegância. O que essa interpretação esconde é que as sociedades ocidentais nessa época viviam uma série de opressões, que raramente são lembradas pelos saudosistas. Apenas um grupo diminuto de pessoas podiam desfrutar de uma vida plena. A roupa feminina do período é marcada pelo chamado New Look, criado por Christian Dior em 1947. A silhueta, criada em Paris, era caracterizada por cintura marcada e saia volumosa, conotando padrões tradicionais de feminilidade.