Estante da Sala

Por que sou levada a escrever?

O que nos valida como seres humanos, nos valida como escritoras. (ANZALDÚA, Gloria) Recebi de uma amiga querida o ensaio Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo, da escritora Gloria Anzaldúa, publicado na Revista Estudos Feministas em 2000 (leia ele na íntegra aqui). O texto epistolar é realmente inspirador e já começa com uma saudação às “mulheres de cor” que também escrevem. Anzaldúa é americana de origem mexicana, nascida no Texas e criada nas roças de tomate. Ativista pelos direitos dos camponeses desde a década de 1950, no final dos anos 60 teve contato com a literatura feminista e nos anos 70

Livro: Gaga Feminism, de J. Halberstam

É difícil avaliar um livro como Gaga Feminism, publicado em 2012 e escrito por Jack Halberstam, professor de inglês e do Centro para Pesquisas Feministas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Halberstam aborda principalmente questões relacionadas ao que chama de masculinidades femininas, especialmente homens transgêro e mulheres cisgênero que são butches. Mas o livro aborda muito mais do que isso: há diversas análises às repeito de gênero e sexualidade que partem de um ponto de vista da cultura pop, explorando principalmente os filmes lançados nos últimos anos. E ainda funciona como um manifesto do que chama de Gaga Feminism, termo que

Melhores Livros Lidos em 2015

As leituras esse ano renderam, ainda mais se eu pensar no tanto de capítulos e de artigos que, por não serem livros inteiros, ficam de fora. Como sempre, esse foram os livros que mais gostei de ler no ano, não necessariamente lançados em 2015. Alguns já foram comentados aqui no blog e os links para as postagens estão em seus títulos. Ficção Jane Eyre- Charlotte Brontë Confesso que o desejo de ler esse livro veio ao assistir à adaptação para o cinema dirigida por Cary Joji Fukunaga e estrelada por Mia Wasikowska. Fui atraída pelo trágico e pelo clima gótico da história e

Livro: Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Cheguei ao trabalho da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie através de seu manifesto Sejamos Todos Feministas, um texto curto transcrito de uma palestra do TED e que está disponibilizado gratuitamente para download na Amazon. O conteúdo é bastante simples e direto e, talvez por isso, tão eficiente. A palestra pode ser conferida no vídeo abaixo. Algum tempo depois assisti a um filme chamado Half of a Yellow Sun, estrelado por Thandie Newton, Chiwetel Ejiofor, Anika Noni Rose e John Boyega e dirigido por Biyi Bandele. O filme é adaptado do romance Meio Sol Amarelo, o segundo escrito por Chimamanda; e me chamou atenção porque a despeito da

Livro: Imagem-Violência

O cinema dos anos 90 é o da crueldade irônica Jean-Claude Bernardet O livro Imagem-Violência: etnografia de um cinema provocador é fruto da dissertação defendida pela antropóloga Rose Satiko Gitirana Hikiji em 1999. Após uma introdução escrita por Massimo Canevacci (autor do livro Sincrétika, que listei entre os melhores que li ano passado), a autora apresenta o contexto de seu trabalho, que foi a primeira pesquisa em antropologia visual defendida na Universidade de São Paulo. Nesse contexto, a área estava começando a se estabelecer e a USP contava e ainda conta com um Grupo de Antropologia Visual e um Laboratório de

Melhores Livros de 2014

Esse foi um ano em que eu li muito, mas a maior parte do volume consistiu em artigos e capítulos soltos. Para literatura propriamente dita, quase não tive tempo. Mas foram muitos livros teóricos/ técnicos interessantes. Abaixo segue a listinha com os que eu mais gostei. Se quiser ler a lista de melhores livros de 2013, acesse aqui. FICÇÃO A cidade ilhada- Milton Hatoum Primeiro livro que li desse escritor manauara, traz uma compilação de contos narrados em primeira pessoa, todos bastante bonitos. Aqueles que evocam a infância em uma Manaus bucólica de tempos passados foram os que mais gostei.

Livro: Travesti- Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil

Escrito pelo antropólogo sueco Don Kulick, o livro Travesti- Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil aborda de forma bastante intensa e imersiva a vida de trevestis na cidade de Salvador em meados dos ano 90. É interessante a visão de um estrangeiro sobre uma realidade de vivências trans que ele afirma serem praticamente exclusivas do Brasil: as travestis. Chamando o país de “uma sociedade de violência”, após viver 8 meses com 13 travestis. relata as vivências delas em meio à ojeriza de uma sociedade que não só as colocam à margem, mas as agridem fisicamente de maneira cotidiana. Questões de gênero e classe