Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain/ 1952)

Assistido em 08/03/2013

Cantando na Chuva é ainda mais uma visão sobre os bastidores da indústria do cinema, abordando a (um tanto quanto traumática) transição entre o cinema mudo e o falado, assim como o já citado Crepúsculo dos Deuses. A diferença é que é um filme essencialmente otimista e alegre.

Na  história, Don Lockwood (interpretado por Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen)são as maiores estrelas do cinema mudo da época, quando a Warner lança O Cantor de Jazz, filme de 1927 com trilha sonora e diálogos sincronizados que se torna enorme sucesso. O estúdio deles resolve transformar o filme que estão fazendo em um filme falado. As dificuldades em lidar com a nova tecnologia aparecem, pois a forma de interpretar diante das câmeras muda e ainda por cima Lina Lamont tem uma voz fina e esganiçada, que não sai bem nas gravações. A solução encontrada foi usar as cenas já gravadas para, através de edição de som, transformar o material em um musical com números grandiosos, em que Lina é dublada pela aspirante a atriz Kathy Selden (Debbie Reynolds). O filme é co-dirigido por Gene Kelly e Stanley Donny (de Cinderela em Paris).

É importante notar um certo anacronismo na história. Primeiro que edição de som para filmes ainda não existia à época de O Cantor de Jazz e só foi se estabelecer uns bons cinco anos depois. Além disso, o tempo todo é mencionado a nova moda dos musicais. Mas mesmo eles, justamente por essas dificuldades técnicas, só entraram realmente na moda no final da década de 30, se estabelecendo nos anos 40 e 50 com o advento da cor. Mas tudo isso pode ser ignorado em prol de um filme leve e divertido. Com um technicolor de cores marcantes, os figurinos explodem na tela de forma efusiva (e nem seriam necessários em um filme preto e branco). As músicas são todas extremamente animadas. O colega de Don Lockwood, Cosmo Brown, interpretado por Donald O’ Connor, ator que veio do vaudeville, é fantástico. Na verdade é difícil não ficar de queixo caído com as danças dos protagonistas. E é difícil não sorrir enquanto se assiste.

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