Drácula, A Noite Americana e pequenos truques do Cinema

Algumas coisas uma vez vistas, jamais são esquecidas. Há alguns anos assisti a um filme fantástico chamado A Noite Americana (La Nuit Américaine, 1973), dirigido por François Truffaut. Gosto muito de filmes que falam sobre o “fazer cinema” e este é um deles: encena a gravação de um filme fictício e de quebra nos mostra vários truques e práticas usados no processo. Depois de vê-lo é impossível não reparar nos figurantes andando em cenas externas em uma rua, por exemplo. Uma das técnicas que ele apresenta é a que dá nome ao filme, que consiste em filmar uma cena de dia e depois escurecê-la para que pareça se passar durante a noite. Outra mostra como o cenário e o rosto dos atores é iluminado para obter uma fotografia perfeita quando a cena se passa em contexto em que a iluminação é feita à luz de velas. O ator segura uma vela, por exemplo, e ela possui um pavio que queima normalmente na parte de cima. O corpo da vela, confeccionado em outro material, possui uma abertura onde se instala uma lâmpada. O ator deve sempre manter essa abertura voltada para o lado oposto da câmera. A luz é o suficiente para iluminar o rosto de quem atua e o que está imediatamente ao seu redor.

Quando descobrimos esse tipo de truque, é difícil não percebê-lo quando está em uso. Mas isso em nada diminui a obra, pelo contrário: o cuidado para com o o melhor resultado final possível é sempre algo a ser louvado. Como exemplo do uso da técnica vou mostrar uma sequência retirada do filme Drácula de Bram Stocker ( Dracula, 1992), dirigido por Francis Ford Coppola. Nesta cena Jonathan Harker (Keanu Reeves) entra em uma tumba tendo apenas uma vela para iluminar tudo.  Deixo as imagens falarem (clique para ampliar):

O corpo da vela está iluminado em uma área maior do que só o pavio o faria. É possível ver um fio (elétrico?) em sua base.

Novamente é perceptível a claridade que emana do corpo (que parece ter crescido em tamanho).

Aqui Keanu Reeves se descuidou é é possível ver a abertura lateral por onde emana o segundo feixe de luz.

Quando, por fim, o personagem repousa a vela em um apoio, ela passa a ter luminosidade só na ponta, como seria de se esperar.

Quando, por fim, o personagem repousa a vela em um apoio, ela passa a ter luminosidade só na ponta, como seria de se esperar.

 

 

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