Sete Noivas Para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers/ 1957)

Assistido em 06/10/2013

Eis um filme que me deixou com sentimentos mistos. Musical dirigido por Stanley Donen, trata dos sete irmãos Pontipee, que moram afastados da cidade em uma casa de madeira com dois quartos, no Oregon de 1850. A casa é um verdadeiro desastre de sujeira e bagunça e Adam (Howard Keel), o mais velho, vai à cidade decidido a arrumar uma esposa. Lá conhece Milly (Jane Powell), umas moça sem família, que trabalha no bar como cozinheira e é trabalhadora, além de loira e de olhos azuis. Adam a considera perfeita para o papel e faz a proposta, que é prontamente aceita. Mas ele omitiu seus seis irmãos e todo o trabalho que ela teria pela frente. Milly, assim que percebe a situação, afirma que o que ele quer não é uma esposa, e sim uma cozinheira e faxineira, e dessa forma o casamento já começa com conflitos. Em contrapartida, os demais irmãos ficam encantados pela presença de uma mulher na casa e querem o mesmo pra eles também. Milly passa a ensiná-los como se portar, serem gentis e dançar para conquistar as moças da cidade.

As músicas do filme não são tão boas como de outros do mesmo período, com algumas exceções. A voz que dubla Jane Powell em suas canções não combina em nada com ela, sendo excessivamente potente. O forte do filme são as danças, já que dos sete atores que interpretam os irmãos, quatro eram, na verdade, bailarinos profissionais e um era acrobata (Russ Tamblyn, que interpreta o caçula Gideon). O ponto alto é, sem dúvida, a sequência em que os sete irmãos e Milly vão ao baile da cidade e os mais novos mostram suas habilidade de dançarinos para as moças. Extremamente divertida, ainda mais no contexto explicado, de que na região havia aproximadamente cinco homens para cada mulher. A coreografia atlética e original é muito boa.

Aí começa o maior problema que tenho com a trama. Os rapazes voltam para casa apaixonados e decididos a casar com suas pretendidas. E o modo que encontram para realizar seus intentos é, com ajuda de Adam, levar sua carroça à cidade e sequestrar suas amadas, imitando o Rapto das Sabinas. Esse evento histórico, amplamente retrato por diversos artistas tanto da pintura quanto da escultura, nada mais é que um estupro em massa (rape, em inglês, pode significar tanto rapto quanto estupro). As moças foram levadas chorando e se debatendo para a casa e eles cantavam sobre como elas choram mas elas querem. Realmente perturbador. Milly protegeu-as e mandou todos permanecerem no celeiro, incluindo Adam. Não aceitando a culpa em relação à suas ações, ele se muda para a cabana de caça até o fim do inverno, perdendo eventos importantes que ocorrem nesse meio tempo.

Um destaque são os belos vestidos de retalhos que a noivas utilizam.

Desconsiderando-se toda essa parte problemática da história, trata-se, na verdade, de um filme muito divertido, com bons momentos de humor. É difícil avaliar o produto final sem o contexto da época, mas vale a pena assistir pelo menos pelas cenas do baile, que são realmente muito boas.

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