Só se Vive Uma Vez (Zindagi Na Milegi Dobara/ 2011)

CINEMA INDIANO

Assistido em 30/08/2013

Só se vive uma vez é um filme interessante: embora agradável e leve, ele não parece ter personalidade e poderia ter sido feito em qualquer país.

A trama envolve três amigos que viajam à Espanha para cumprir uma promessa feita durante a faculdade, quando se denominavam os três mosqueteiros. Quando um deles se casassem fariam um despedida de solteiro e cada um poderia escolher um esporte radical pra todos praticarem. O arquiteto Kabir (Abhay Deol) vai se casar com Natasha (Kalki Akhtar). Junto com ele viajam redator publicitário Imraan (Farham Akhtar) e o corretor de bolsa de valores Arjun (Hrithik Roshan). Eles conhecem Laila (Katrina Kaif), uma instrutora de mergulho que desperta o interesse nos dois últimos. Por essa sinopse pode-se pensar que é um filme de comédia com tom mais galhofa, mas na verdade, apesar de alguns momentos engraçados, como num autêntico road movie a viagem é um paralelo para o próprio processo de auto-descobrimento dos personagens e para reavivar sua amizade de tempos atrás. Detalhes de suas vidas aparecem: Imraan descobriu que seu pai não é seu pai biológico e este mora na Espanha; Arjun ainda está magoado por ele ter roubado sua namorada quatro anos antes e ao mesmo tempo faz comentários pouco agradáveis sobre como está rico (e eles não); por fim, Kabir questiona seu desejo de se casar agora. Arjun, especificamente, passa pelas maiores mudanças, pois era o que mais havia se afastados, morando em Londres e dedicando-se totalmente ao trabalho para poder se aposentar aos 40 anos.

Não deixo de ficar um pouco surpresa em descobrir que o filme é escrito e dirigido por uma mulher, Zoya Akhtar. Isso porque as mulheres  são todas unidimensionais e estereotipadas. Natasha é a noiva ciumenta e insistente, que praticamente forçou um casamento, embora isso seja atenuado o tempo todo, quando eles falam que ela é doce. Laila nada mais é que uma versão bollywoodiana da manic pixie dream girl: uma moça livre, sem amarras, que vive a vida sem se preocupar com dinheiro, enquanto viaja pelo mundo. (E apesar disso é fácil simpatizar com ela). Uma terceira moça aparece e nada mais é que o amor de verão, aquela que sequer fala a língua dos demais, embora alcance grande conexão emocional com o personagem envolvido.

O filme é bem executado e as filmagens na Espanha fazem um bom apanhado de lugares interessantes e parecem tornar a jornada dos personagens especial. Talvez não seja muito original, mas é gostoso de assistir.

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Isabel Wittmann

Catarinense, 33 anos, louca por bichos, feminista. Hoje mora em São Paulo, mas já passou uns anos no Amazonas. Crítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, podcaster e pesquisadora de gênero.