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Janelas: Nome de Família

Nome de Família (The Namesake, 2006) é dirigido pela cineasta indiana de diáspora Mira Nair. Focado na migração de um casal de indianos para os Estados Unidos, o filme aborda a diferença entre as gerações, os conflitos entre individualidade e tradição e, claro, o sentimento de pertencimento em um local ou comunidade, tudo isso colorido por cores maravilhosas. É o meu 56º filme assistido para o desafio #52FilmsByWomen.

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Figurino: Jodhaa Akbar – Cores, Muitas Cores!

CINEMA INDIANO

Para fechar a semana dedicada ao cinema indiano, farei um breve comentário a respeito do figurino do épico indiano Jodhaa Akbar. Visualmente deslumbrante: essas duas palavras definem o que penso sobre o filme. Com direção de Ashutoh Gowariker, conta com figurino vistoso e rico em detalhes foi feito por Neeta Lulla. Em entrevista, ela relata que mesmo com vinte anos de carreira, esse foi um de seus trabalhos mais desafiadores até então. As roupas utilizadas são fiéis ao período retratado, no século XVI. Por desconhecimento dos trajes tradicionais indianos, analisarei a forma, e não o conteúdo.

A paleta de cores do imperador mughal Akbar (Hrithik Roshan) é constituída de dourado, marrom e bege, com muitos bordados e uso de jóias.

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Já a princesa de Rajput Jodhaa (Aishwarya Rai Bachchan) veste majoritariamente amarelo, vermelho e verde-esmeralda. As peças foram cuidadosamente pesquisadas ao longe de seis meses, e encomendadas em diversas cidades da Índia. Artesãos também auxiliaram no processo: as jóias foram produzidas em uma joalheria tradicionais e todos os sapatos bordados foram comprados de clássicos produtores do item.

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O traje da festa de véspera de casamento de Jodhaa foi inspirado em uma pintura pintura do século XIX.

jodhaa painting É interessante perceber a maneira como os diversos reinos que compunham a Índia possuíam trajes diferentes. Há uma diferenciação religiosa (de maneira geral as mulheres hindus aparecem mais cobertas do que as muçulmanas) mas também uma distinção geográfico-cultural. Em determinada cena em que o imperador é aclamado por emissários de várias partes do país, percebe-se o cuidado em retratá-los de maneira heterogênea, criando uma identidade visual para cada grupo da grande colcha de retalhos que compõe a Índia atual. A cena pode ser vista na íntegra no vídeo abaixo.

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Já disse anteriormente e reitero: embora possa haver controvérsias acerca dos aspectos históricos de Jadhaa Akbar, é um filme que impressiona sobremaneira pela grandiosidade de sua produção. Para quem gosta de épicos é uma ecolha certa. E Neeta Lulla o preencheu com belos trajes que fazem os olhos brilhar de prazer só de poder admirá-los.

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Só se Vive Uma Vez (Zindagi Na Milegi Dobara/ 2011)

CINEMA INDIANO

Assistido em 30/08/2013

Só se vive uma vez é um filme interessante: embora agradável e leve, ele não parece ter personalidade e poderia ter sido feito em qualquer país.

A trama envolve três amigos que viajam à Espanha para cumprir uma promessa feita durante a faculdade, quando se denominavam os três mosqueteiros. Quando um deles se casassem fariam um despedida de solteiro e cada um poderia escolher um esporte radical pra todos praticarem. O arquiteto Kabir (Abhay Deol) vai se casar com Natasha (Kalki Akhtar). Junto com ele viajam redator publicitário Imraan (Farham Akhtar) e o corretor de bolsa de valores Arjun (Hrithik Roshan). Eles conhecem Laila (Katrina Kaif), uma instrutora de mergulho que desperta o interesse nos dois últimos. Por essa sinopse pode-se pensar que é um filme de comédia com tom mais galhofa, mas na verdade, apesar de alguns momentos engraçados, como num autêntico road movie a viagem é um paralelo para o próprio processo de auto-descobrimento dos personagens e para reavivar sua amizade de tempos atrás. Detalhes de suas vidas aparecem: Imraan descobriu que seu pai não é seu pai biológico e este mora na Espanha; Arjun ainda está magoado por ele ter roubado sua namorada quatro anos antes e ao mesmo tempo faz comentários pouco agradáveis sobre como está rico (e eles não); por fim, Kabir questiona seu desejo de se casar agora. Arjun, especificamente, passa pelas maiores mudanças, pois era o que mais havia se afastados, morando em Londres e dedicando-se totalmente ao trabalho para poder se aposentar aos 40 anos.

Não deixo de ficar um pouco surpresa em descobrir que o filme é escrito e dirigido por uma mulher, Zoya Akhtar. Isso porque as mulheres  são todas unidimensionais e estereotipadas. Natasha é a noiva ciumenta e insistente, que praticamente forçou um casamento, embora isso seja atenuado o tempo todo, quando eles falam que ela é doce. Laila nada mais é que uma versão bollywoodiana da manic pixie dream girl: uma moça livre, sem amarras, que vive a vida sem se preocupar com dinheiro, enquanto viaja pelo mundo. (E apesar disso é fácil simpatizar com ela). Uma terceira moça aparece e nada mais é que o amor de verão, aquela que sequer fala a língua dos demais, embora alcance grande conexão emocional com o personagem envolvido.

O filme é bem executado e as filmagens na Espanha fazem um bom apanhado de lugares interessantes e parecem tornar a jornada dos personagens especial. Talvez não seja muito original, mas é gostoso de assistir.

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Acorda Sid (Wake up Sid/2009)

CINEMA INDIANO

Assistido em 28/08/2013

Acorda Sid é um filme leve e com temática bastante contemporânea. Trata da história do jovem Sidarth, apelidado Sid (Ranbir Kapoor), cujo pai tem uma grande empresa que lhe garante uma renda estável. Sid é acostumado ter tudo que precisa, sair com os amigos e ir a festas sem nunca se preocupar com uma fonte de renda. A conta de seu cartão de crédito é automaticamente paga pelo pai. Até que reprova no exame final da faculdade e não consegue se formar. Coloca a culpa nos demais e não em si e ao ser confrontado pelo pai, que o acusa de não conseguir se comprometer com um trabalho e corta sua mesada, Sid sai de casa e pede abrigo no apartamento de sua nova amiga Aisha (Konkona Sen Sharma). Recém chegada a Mumbai e aspirante a escritora, ela, que conseguiu emprego em uma grande revista o incentiva a tentar fazer o mesmo e transformar sua paixão por fotos em profissão.

Esse parece ser um drama recorrente nas gerações mais novas: a busca pela profissão certa e falta de comprometimento com as dificuldades nesse caminho. Tal trama também fazia parte da proposta inicial do seriado Girls, da HBO.

Os dois protagonistas estão ótimos em cena, atuando com grande naturalidade. Embora possa parecer uma história simples, ela se desenrola de maneira agradável e cativante. A sucessão de camisetas divertidas com estampas de personagens que Sid ostenta me fez ficar sempre de olho em qual seria a próxima (e ele não repete uma sequer!). A composição do apartamento de Aisha também é muito boa. A trilha sonora inclui várias músicas compostas exclusivamente para o filme, mas, apesar de aparecerem nas cenas, não há danças senão nos créditos finais.

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Pai (Paa/ 2009)

CINEMA INDIANO

Assistido em 27/08/2013

Pai é um filme estranho. A filmagem parece feita para televisão, e não para cinema. As cenas em close nos personagens e os cenários, que parecem feitos para novela, realçam essa sensação. O protagonista, Auro (Amitabih Bachchan), é um menino de doze anos portador da doença genética progeria, que causa uma aparência precocemente envelhecida. Por causa, dela, tem a saúde de um homem de setenta anos. Sua mãe, Vidya (Vidya Balan) é uma médica ginecologista e eles moram com sua vó. Seu pai não sabe que ele existe, pois quando Vidya engravidou ambos ainda estavam na faculdade e ele propôs a ela que fizesse um aborto, para não atrapalhar os planos de carreira de ambos. Ela terminou o namoro e ocultou o fato de ter levado a gravidez adiante. Até que Auro recebe um prêmio de mérito escolar das mãos do parlamentar Amol Arte (Abhishek Bachchan, filho de Amitabih), que vem a ser o seu pai, sem que nenhum dos dois saibam dessa relação. À partir daí o contato entre os dois cresce, para desconforte de Vidya.

A trama não foca na doença de Auro e nem explorar o impacto dela no seu cotiano. Pelo contrário, ela parece apenas um detalhe em uma narrativa sobre a relação entre uma criança e seus pais.

Amitabih Bachchan (que recentemente fez uma participação em O Grande Gatsby) é um dos grandes astros do cinema indiano. Aqui ele aparece com pesada maquiagem para compor o personagem, mas, levando-se em conta seus quase setenta anos à época da produção, aliado a sua altura de quase um metro e noventa, o resultado final é pouco convincente e em algumas cenas beira o bizarro. Junta-se a isso diálogos rápidos e com pretensões humorosas, mas afiados demais para uma criança de doze anos e temos uma composição de personagem completamente falha. Em nenhum momento o expectador deixa de perceber que é um adulto tentando imitar uma criança mimada de forma engraçadinha, mas apenas atingindo a artificialidade. Apesar disso, a forma como Auro vai descobrindo como se relacionar com o pai é bonita.

A história ainda tem alguns pontos politicamente questionáveis. Amol Arte trata a imprensa indiana como hipócrita, pois supostamente eles defendem que as pessoas pobres que não têm como obter moradia invadam terrenos sem uso, mas não cedem suas casas para isso. Uma lógica deveras tortuosa. De qualquer forma, Amol é retratado como um jovem político idealista e incorruptível.

É interessante que todos os personagens falam em hindi e em inglês, alternando de uma língua para a outra no mesmo diálogo.

Mistura de novela mexicana com comédia da Globo Filmes, Pai tem seus bons momentos e até rende algumas risadas, mas não funciona como um todo.

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