Melhores filmes de 2018

Também conhecido como “os filmes que eu mais gostei de ver”, portanto algo bastante pessoal. Novamente não fiz repescagem em dezembro, porque estou cansada e não quis correr atrás do que deixei pelo caminho. Esse ano foi recheado de trabalho, incluindo dois júris (no Festival Internacional do Mulheres no Cinema e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), alguns debates, eventos acadêmicos, docência e minha admissão na ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Sobre essa retrospectiva, devo avisar que não tomei grande cuidado ao ordenar os filmes e depois do décimo quinto já não obedecem mais ordem alguma (e sinceramente não vou me preocupar com isso). Optei por deixar desse jeito mesmo. Digamos que talvez eu tenha um top dez e aí uma lista de menções honrosas. Tem de tudo um pouco: filme do Oscar, filme que vi em festival, farofas gostosas, uns mais instigantes ou divisivos. Engraçado que irmãos Coen e Todd Haynes, dos meus diretores preferidos, ficaram de fora. Fecho o ano 331 filmes assistidos (o maior número nos últimos seis anos), mas dos quais apenas 101 são lançamentos (um número inferior ao ano passado). Levei em conta tanto filmes que passaram no cinema quanto os que chegaram diretamente em homevideo e VoD. Colo junto como os escolhidos a avaliação que dei quando assisti, de zero até cinco estrelas. Filmes sobre os quais escrevi ou gravei podcast a respeito tem link para o texto no título. Para ver a lista com todos os filmes lançados esse que eu vi, clique aqui. Para ver essa lista no Letterboxd, acesse aqui.

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name, 2017)

Direção: Luca Guadagnino

★★★★★

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi (Mudbound, 2017)

Direção: Dee Rees

★★★★½

As Boas Maneiras (2017)

Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra

★★★★½

The Tale (2018)

Direção: Jennifer Fox

★★★★½

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)

Direção: Guillermo del Toro

★★★★½

Marvin (2017)

Direção: Anne Fontaine

★★★★½

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman, 2018)

Direção: Spike Lee

★★★★

Em Chamas (Beoning, 2018)

Direção: Lee Chang-Dong

★★★★½

Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird, 2017)

Direção: Greta Gerwig

★★★★

Roma (2018)

Direção: Alfonso Cuarón

★★★★


O Animal Cordial (2017)

Direção: Gabriela Amaral Almeida

★★★★

The Square: A Arte da Discórdia (The Square, 2017)

Direção: Ruben Östlund

★★★★

Tully (2018)

Direção: Jason Reitman

★★★★

Benzinho (2018)

Direção: Gustavo Pizzi

★★★★

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018)

Direção: John Krasinski

★★★★

Hereditário (Hereditary, 2018)

Direção: Ari Aster

★★★★

Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here, 2017)

Direção: Lynne Ramsay

★★★★

Custódia (Jusqu’à la garde, 2017)

Direção: Xavier Legrand

★★★★

A Festa (The Party, 2017)

Direção: Sally Potter

★★★★

A Culpa (Den skyldige, 2018)

Direção: Gustav Möller

★★★★½

Sem Amor (Nelyubov, 2017)

Direção: Andrey Zvyagintsev

★★★★

Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017)

Direção: Paul Thomas Anderson

★★★★

Aniquilação (Annihilation, 2018)

Direção: Alex Garland

★★★★

Nasce Uma Estrela (A Star is Born, 2018)

Direção: Bradley Cooper

★★★★

Arábia (2017)

Direção: João Dumans e Affonso Uchoa

★★★★½

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Sobre cineastas e grandes orçamentos

Tem certas coisas que, quando vemos, só dá pra dizer, como se fala na minha terra, que é de cair o c* da bunda. Perdoem-me a finesse. É o caso do tuíte abaixo, do Hollywood Reporter.


#acessível:
Twitter do Hollywood Reporter onde se lê “#MulherMaravilha Warner Bros. está apostando 150 milhões de dólares em uma cineasta cujo único crédito anterior no cinema foi um filme indie de 8 milhões”.
Twitter de Scott Beggs respondendo: “Contexto: mulher faz um sucesso de crítica e e de bilheteria que ganha um Oscar… Tem que esperar fodidos 14 anos para ser contratada para um longa de novo”.

Galera do Hollywood Reporter acha que a Warner fez caridade? Isso aí é investimento! Quantas diretoras conseguem filmes com altos orçamentos? Acima dos 100 milhões, até hoje, só Kathryn Bigelow, com K-19 (2002), Lana e Lilly Wachowski comA Viagem (2012) e O Destino de Júpiter (2015) e recentemente Ava DuVernay com Uma Dobra no Tempo (ainda em produção). Enquanto isso garotos branco de 20 e poucos anos que dirigiram filmes indies bem avaliados são convidados a dirigir outros com orçamentos milionários em grandes franquias.

E quanto tempo diretoras com filmes de pequeno orçamento mas grande impacto, levam para conseguir outro trabalho? A própria Patty Jenkins, cujo Monster (2002) garantiu o Oscar de melhor atriz para Charlize Theron, voltou apenas agora com Mulher Maravilha, depois de alguns anos em seriados como The Killing e Arrested Development. Onde está Lisa Cholodenko, que garantiu 4 indicações ao Oscar (melhor filme, melhor atriz, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original) com o filme Minhas Mães e Meu Pai (2010), com orçamento de apenas 3 milhões? Na televisão, em seriados. Lynne Ramsay, que em 2011 lançou seu elogiado Precisamos Falar Sobre o Kevin, orçado em 7 milhões, indicado ao BAFTA de melhor filme, melhor filme britânico e melhor direção, reapareceu só esse ano com You Were Never Really Here (e ganhou com ele o prêmio de melhor roteiro e melhor ator em Cannes). E já faz 6 anos que Dee Rees lançou Pariah e desde lá está na televisão. Esses são apenas alguns exemplos notórios, mas são muitas e é fácil perceber esse padrão de dificuldade.

Dizer que um estúdio está apostando caro ao contratar qualquer uma dessas diretoras é um malabarismo argumentativo, já que diretores homens com o mesmo tipo de currículo são constantemente premiados com orçamentos milionários em seu próximo trabalho (Gareth Edwards, Rian Johnson, Colin Trevorrow e mesmo Josh Trank com o desastroso Quarteto Fantástico são exemplos recentes). O que existe é uma constante dificuldade de mulheres que dirigem conseguirem financiamento ou contrato para seu filme seguinte. Existe uma exclusão sistemática de todo um nicho de trabalhadores, especificamente em virtude de seu gênero.

E por isso também que um filme como Mulher Maravilha, um blockbuster de heroína, é tão importante politicamente. Ele já é um sucesso absoluto de crítica (é o melhor desempenho de filme de super herói da Marvel ou da DC já feito) e agora precisa garantir no fim de semana de estreia uma bilheteria considerável, para mostrar que as cineastas fazem valer a qualidade de seu trabalho no orçamento investido, sem apostas incertas.

 

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