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That’s Entertainment! I, II e III (1974, 1976 e 1994)

That’s Entertainment! é um grande e bonito vídeo promocional. A produção da MGM nada mais é que uma compilação impressionante da era de ouro de seus musicais, promovendo o próprio estúdio e seus grandes astros. O primeiro foi lançado nas suas comemorações de 50 anos. Os apresentadores são eles próprios, Fred Astaire, Gene Kelly, Liza Minnelli, Donald O’Connor, Debbie Reynolds, Frank Sinatra, James Stewart, Elizabeth Taylor, Mickey Rooney, entre outros. Chama a atenção não só como o estúdio juntou sob suas asas as maiores estrelas de cada época, mas também a escala das produções.

Uma pena que por se tratar de um filme produzido pelo próprio estúdio, as falas dos apresentadores pareçam milimetricamente ensaiadas e poucas críticas são feitas ao sistema que predominava na época. Nada foi mencionado sobre o casamente imposto entre Vincent Minelli e Judy Garland, por exemplo. Uma exceção foi a fala de Lena Horne, atriz negra, sobre sua dificuldade de obter bons papéis na década de 1940.

Os filmes comentam muitas produções, algumas mais famosas que as outras, e conseguem o feito de realmente deixar a vontade de assisti-las. O primeiro conta com depoimentos de diversos astros. O segundo parece ter a verba ampliada e tem Fred Astaire e Gene Kelly apresentando. Já no terceiro, bastante posterior, é também bem mais fraco e conta com menos participações.

Para quem gosta de musicais no estilo grandioso e escapista dos da MGM, é uma boa pedida.

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Sinfonia de Paris (An American in Paris/ 1951)

Assistido em 31/05/2013

american Sinfonia de Paris é um filme musical dos bons. Dirigido por Vincent Minelli e estrelado por Gene Kelly, não tinha como sair errado. Kelly interpreta Jerry Mulligan, um pintor que é o americano em Paris do título original. Ele convive com dois amigos: Adam Cook, um pianista que mora em seu prédio e Henri Baurel, um cantor francês de sucesso. Já percebemos a beleza da composição das cenas quando, no início do filme, Henri relata a Adam que está apaixonado por uma moça e a cada característica dela que ele cita, um número de dança diferente, com cenários monocromáticos é apresentado. A tal moça, Lise Bouvier, posteriormente torna-se interesse amoroso de Jerry, que não sabe que ela é a noiva de seu amigo. Além disso, Jerry também aceita o mecenato de uma mulher rica que parece interessada em mais do que apenas suas pinturas.

An American in Paris 1

Cenário inspirado em Toulouse-Lautrec

A verdade é que depois de ver o filme, parando para analisar a história toda, Jerry é um homem bastante desagradável com as mulheres. Mas dentro do contexto das cenas musicais e com Gene Kelly dançando como dança, isso acaba perdendo a importância. No ato final do filme há uma sequência de 17 minutos de dança, sem falas. O conjunto é um pouco cansativo, mas é interessante como a ação progride através de cenários estilizados de Paris usando a estética de pintores famosos que por lá passaram. Em termos de direção de arte tudo é realmente impecável. No Oscar de 1952 o filme recebeu os prêmios de melhor filme, melhor trilha sonora, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor fotografia e melhor roteiro. O pobre do Vincent Minelli não levou melhor diretor. Não sei se chega a ser para tanto, porque embora bem executado e com um clima extremamente otimista o filme ainda é inferior ao que Gene Kelly faria no ano seguinte, Cantando na Chuva (igualmente é a química com os demais protagonistas, especialmente a feminina) . Mas ainda assim não há como negar o seu charme.

Poster - An American in Paris_03

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Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain/ 1952)

Assistido em 08/03/2013

Cantando na Chuva é ainda mais uma visão sobre os bastidores da indústria do cinema, abordando a (um tanto quanto traumática) transição entre o cinema mudo e o falado, assim como o já citado Crepúsculo dos Deuses. A diferença é que é um filme essencialmente otimista e alegre.

Na  história, Don Lockwood (interpretado por Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen)são as maiores estrelas do cinema mudo da época, quando a Warner lança O Cantor de Jazz, filme de 1927 com trilha sonora e diálogos sincronizados que se torna enorme sucesso. O estúdio deles resolve transformar o filme que estão fazendo em um filme falado. As dificuldades em lidar com a nova tecnologia aparecem, pois a forma de interpretar diante das câmeras muda e ainda por cima Lina Lamont tem uma voz fina e esganiçada, que não sai bem nas gravações. A solução encontrada foi usar as cenas já gravadas para, através de edição de som, transformar o material em um musical com números grandiosos, em que Lina é dublada pela aspirante a atriz Kathy Selden (Debbie Reynolds). O filme é co-dirigido por Gene Kelly e Stanley Donny (de Cinderela em Paris).

É importante notar um certo anacronismo na história. Primeiro que edição de som para filmes ainda não existia à época de O Cantor de Jazz e só foi se estabelecer uns bons cinco anos depois. Além disso, o tempo todo é mencionado a nova moda dos musicais. Mas mesmo eles, justamente por essas dificuldades técnicas, só entraram realmente na moda no final da década de 30, se estabelecendo nos anos 40 e 50 com o advento da cor. Mas tudo isso pode ser ignorado em prol de um filme leve e divertido. Com um technicolor de cores marcantes, os figurinos explodem na tela de forma efusiva (e nem seriam necessários em um filme preto e branco). As músicas são todas extremamente animadas. O colega de Don Lockwood, Cosmo Brown, interpretado por Donald O’ Connor, ator que veio do vaudeville, é fantástico. Na verdade é difícil não ficar de queixo caído com as danças dos protagonistas. E é difícil não sorrir enquanto se assiste.

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