Estante da Sala

Figurino: Clube dos Cinco

Diversas vezes neste espaço explorei a temática da construção de personagens através de alterações em suas roupas, seja em termos de silhueta, seja em torno da paleta de cores utilizada. Nesses casos geralmente há passagem de tempo e mudanças em sua personalidade, levando a um desenvolvimento da trama expressado justamente através do figurino. Mas existem certos filmes que não permitem trocas de guarda-roupa. Tramas que se passa em um cômodo só, quase em tempo real, são um exemplo. A dificuldade nesse caso é expressar para o público o máximo possível a respeito das pessoas retratadas através da única aparência que

Aviso

Durante o fim de semana meu computador parou de funcionar. Acho que os hamsters cansaram, depois de sete anos. 😛 Por este motivo, postagens aqui no blog poderão ficar comprometidas por enquanto. Espero resolver o problema em breve. Obrigada pela compreensão! 🙂

Noé (Noah, 2014)

O antropólogo alemão Franz Boas afirmou que o mito tem origem histórica e se baseia no cotidiano do próprio povo que o criou. Por outro lado, defendeu que ele pode se espalhar através de difusão para outros povos que tenham proximidade geográfica. Ainda assim, seria possível encontrar relatos similares entre povos sem contatos anteriores, mesmo que sem uma causa primária semelhante ou uma significação semelhante. Grande parte dos povos da antiguidade buscavam se fixar nas proximidades de rios, porque facilitava a obtenção de água e alimento. Assim, eventualmente, uma cheia periódica poderia ser maior do que as normais, levando a busca

Figurino: A Época da Inocência

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 27/03/2014. “O que você ganharia, passando por um escândalo?” “Minha liberdade.” A Época da Inocência é um filme que se destaca pela curiosa temática na filmografia do diretor Martin Scorsese. Após filmes como Taxi Driver, Touro Indomável e Os Bons Companheiros, aqui ele nos entrega uma história de amor trágica, que dizem ter clamado ser seu filme mais violento. Baseado no livro homônimo de Edith Wharton, a trama é realmente brutal no retrato de sentimentos intensos que não podem ser revelados. A figurinista Gabriella Pescucci opta pela composição realista do período, criando ambientação

Fonte da Vida

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=DqGAK7tcIfI] Todo mundo falando de Noé e eu, atrasada no bonde, ainda não tinha visto nem Fonte da Vida, dentre os trabalhos da filmografia de Darren Aronofsky. Pode-se dizer que o filme é o pai menos bem executado de A Árvore da Vida, por lidar com temáticas semelhantes relacionadas à vida, morte, amor e luto. Hugh Jackman é Tom Creo, um cientista que procura uma cura para a doença de sua esposa Izzi, interpretada por Rachel Weisz. Izzi estava escrevendo um livro, mostrado na própria trama, como metáfora desta busca: Tomás, o protagonista, é um desbravador espanhol no século XVI em

Filmes assistidos em Março

Não gosto de dar notas aqui no blog, porque eu tendo a mudá-las constantemente conforme a digestão da película. Dessa forma essas notas abaixo são o reflexo da minha avaliação neste momento, não são sedimentadas: servem apenas como base para ter uma noção do quanto gostei do filme (ou não). Nem todos os filmes foram vistos pela primeira vez. A lista está em ordem cronológica da data em que foram assistidos e a avaliação é de zero a cinco. Separarei dessa ordem filmes que assisti por motivos e temáticas específicas. Apreciação de Phillip Seymour Hoffman (em continuação ao mês de fevereiro): Dúvida

Ninfomaníaca: Volume 1 e Volume 2 (Nymphomaniac: Vol. I and Vol. II/ 2013)

https://www.youtube.com/watch?v=OWxxwJHoSjg Ninfomaníaca é o terceiro filme da trilogia que Lars von Trier criou para lidar com sua depressão (precedido por Anticristo e Melancolia) e foi dividido em dois volumes para lançamento no cinema porque a duração ficou muito longa. É impossível analisá-los de maneira separada (pois fica patente que compõem um filme só), mas ao mesmo tempo há uma quebra de ritmo e de clima em relação ao que é exibido em cada um deles. Sexo e religiosidade são temas recorrentes do autor. Aqui novamente eles aparecem como protagonistas. O professor Peter Schepelern, da Universidade de Copenhagen, em sua aula sobre o cineasta,