Dicas Netflix Julho

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Mais um mês se encerrando e mais uma listinha de dicas para assistir na Netflix durante o próximo. Se você quiser olhar as listas anteriores para pescar outras sugestões, clique aqui. Todos os filmes já tem o link direto para a sua página.

Esse mês não entrou muita coisa boa no catálogo, mas destaco um filme e uma série (para maratonar antes de voltar em novembro):

Até o Fim (All is Lost, 2013)

Gilmore Girls: Tal Mãe, Tal Filha (Gilmore Girls, 2006)

Gilmore Girls: um seriado que vale a pena ver ou rever.

Gilmore Girls: um seriado que vale a pena ver ou rever

Além desses, algumas outras indicações de gêneros variados: tem animação, documentário, comédia, romance, ação, musical.

Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961)

Lawrence of Arabia (Lawrence da Arábia, 1962)

Scarface (1983)

Amor, Sublime Amor: clássico musical sobre rivalidade entre gangues, inspirado por Romeu e Julieta.

Amor, Sublime Amor: clássico musical sobre rivalidade entre gangues, inspirado em Romeu e Julieta.

As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, 1995)

Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, 2001)

Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008)

Coraline (2009)

Coraline: ótima animação em stop motion adaptada de uma obra de Neil Gaiman.

Coraline: ótima animação em stop motion adaptada de uma obra de Neil Gaiman.

Loucamente Apaixonados (Like Crazy, 2011)

Vessel (2014)

What Happened Miss Simone? (2015)

 

Espero que essas dicas sejam úteis. Até o mês que vem! 🙂

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Janelas: Nome de Família

Nome de Família (The Namesake, 2006) é dirigido pela cineasta indiana de diáspora Mira Nair. Focado na migração de um casal de indianos para os Estados Unidos, o filme aborda a diferença entre as gerações, os conflitos entre individualidade e tradição e, claro, o sentimento de pertencimento em um local ou comunidade, tudo isso colorido por cores maravilhosas. É o meu 56º filme assistido para o desafio #52FilmsByWomen.

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Figurino: Carol

Muitas vezes, nesse espaço, coloquei ênfase no uso de cores vinculado às trajetórias dos personagens e em como a mudança delas pode marcar momentos importantes da trama. (Cito como exemplo alguns dos textos que mais gostei de fazer: Precisamos Falar Sobre o Kevin , Segredos de Sangue e Drácula de Bram Stoker). É comum que filmes em cores sejam entendidos como representações realistas, pura e simplesmente, uma vez que o meio ao nosso redor também é colorido. Mas nem sempre isso é verdade, porque as cores dispostas em cena são escolhas deliberadas, para servir à narrativa, criar atmosfera ou destacar elementos específicos. O que vemos na película pode não ter um equivalente no mundo real.

Em Carol, filme dirigido por Todd Haynes, baseado no romance de Patricia Highsmith e roteirizado por Phyllis Nagy, fica clara a decisão de retratar a história como um conto natalino. A personagem-título é uma dona de casa com boa situação financeira que está se divorciando do marido e Therese, por quem ela se apaixona, é vendedora e fotógrafa nas horas vagas. Uma boa parte dos acontecimentos ocorrem pouco antes do Natal no ano de 1952, até pouco depois do Ano Novo. A narrativa se encerra alguns meses depois. A paleta de cores em tons terrosos é contida, suave e pontuada por tons de verde e vermelho aqui e acolá, como a época de festividades pede. A fotografia é granulosa e esverdeada.

O figurino (e a direção de arte como um todo) vão muito além da escolha de cores a serem dispostas quando se trata de compor os personagens. Tomemos a sequência em que Therese (Rooney Mara) e Carol (Cate Blanchet) se vêm pela primeira vez. Rooney trabalha como balconista em uma loja de departamentos. O balcão é a materialização das diferenças entre elas: cada uma de um lado, separadas por marcadores sociais. Therese veste uma camiseta de manga comprida e gola alta sem detalhes e de tecido simples, sob um vestido escuro e o gorro de natal obrigatório para uso das funcionárias, compondo uma aparência comum, ordinária. Nenhum acessório, apenas um pequeno relógio de pulso. Quando ela avista Carol, fica hipnotizada por sua presença, mesmo do outro lado do salão. A figura se veste com um casaco de peles de aparência macia, usa chapéu, echarpe e unhas na mesma cor e brincos, colar e anéis de ouro, além de uma luva de couro. O resultado final do conjunto é uma elegância sóbria, clássica. Esses poucos segundos de oposição entre as duas personagens são o suficiente para informar o espectador a respeito das diferenças de classe social e de idade entre as duas protagonistas, sem a necessidade de maiores explicações.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara

A figurinista do filme é Sandy Powell, cujos trabalhos em Velvet Goldmine (também dirigido por Haynes) e Cinderela já foram abordados aqui no blog. Seu figurino ajuda a construir Carol como uma mulher madura, decidida e sem floreios. Embora a trama se passe na década de 50, ela não usa saias rodadas, optando por cortes retos e junto ao corpo. Além de cores neutras, como bege e cinza, tons de vermelho pontuam o figurino, quase sempre composto de tecidos lisos.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara red

Em determinado momento do filme, em uma festa de amigos, a simplicidade da linha dos trajes de Carol contrasta com os de sua amiga, extremamente adornados.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara piano

Já o figurino de Therese destaca sua trajetória de crescimento. A estampa xadrez, a boina listrada, o seu casaco volumoso com capuz: todos os trajes do começo da história remetem a roupas de colegial, ressaltando a juventude da personagem, mas também sua situação profissional, uma vez que, após a escola, não se estabeleceu em um emprego que lhe exigisse um vestuário mais maduro. Quando Therese vai à casa de Carol pela primeira vez, sua roupa tem os mesmos padrões e cores do que as usadas pela filha desta, novamente realçando sua juventude, em contraste com a elegância de Carol.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara

O uso de verde nas roupas de Therese torna-se ainda mais interessante quando percebemos ser a mesma cor utilizada por Abby (Sarah Paulson) amiga de Carol com quem esta teve um relacionamento no passado. Abby cuida de Carol e de certa forma também cuida de Therese, uma vez que ela ocupa agora o lugar de afeto na vida de Carol. A cor aproxima ambas, conectando-as a ela.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara Sarah Paulson

A conexão se estabelece também pelo fato de verde e vermelho serem cores complementares, ou seja, cores que visualmente se harmonizam em sua oposição. Quando Carol conhece o apartamento de Therese fica clara essa relação, não só nas cores, mas no posicionamento das atrizes.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara apartment

Essa combinação de cores vai se inverter no primeiro momento em que as duas saem em viagem juntas, Therese em vermelho e Carol em verde.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara cafe

Além disso, o verde aparece marcadamente pelos lugares onde passam. Não é à toa que quando Therese retorna para seu apartamento, a cor é reforçada em suas paredes.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara green

Na cena de abertura, que cronologicamente é uma das últimas, ambas têm um breve encontro como em Desencanto (1945), de David Lean. Desde a última vez que se viram, Therese se estabeleceu como fotógrafa de um jornal e sua mudança profissional já transparece em suas roupas. Agora ela já usa brincos, ainda que discretos e suas roupas estão mais elegantes. Rooney Mara emula a sofisticação sem esforços de Audrey Hepburn com precisão.

Carol Todd Haynes Cate Blanchet Rooney Mara

Mais uma vez trabalhando juntos, Todd Haynes e Sandy Powell constroem um mundo que exibe o período retratado, realçando os elementos narrativos e a trajetória das personagens. O resultado é um filme elegante e esteticamente prazeroso, que encanta pela delicadeza com que aborda o romance entre as duas mulheres, digna do new queer cinema de Haynes.

Três anos de “Vestindo o Filme”

Mais um ano se passou e minha coluna no Cinema em Cena aniversaria hoje. Em 8 de julho de 2013 foi ao ar sua primeira edição, em que escrevi sobre O Grande Gatsby. Tive uma redução de ritmo considerável dessa vez: no primeiro ano foram vinte e cinco textos comentando quarenta e um filmes; no segundo dezoito e trinta e dois, respectivamente. Dessa vez foram treze artigos que abordaram trinta e duas obras. O espaçamento foi maior, mas pelo menos incluí mais filmes em cada um. Todo ano eu escolho os dez que mais gostei de escrever: não necessariamente os melhores, mas os que mais me diverti ou me interessei. Com o número reduzido, dessa vez vou escolher cinco, todos com links para o texto na íntegra. Vamos a eles:

Herói

Hero 2002

Nada como um uso espetacular de cores para auxiliar a narrativa. Esse filme de Yimou Zhang com figurino de Emi Wada é puro deleite para os olhos.

Garota Exemplar

Gone Girl

Figurinos de época geralmente são mais vistosos e chamam mais atenção, mas na sutileza e na minúcia de um bom figurino contemporâneo se esconde muita coisa. Trish Summerville é uma figurinista ainda com poucos filmes no currículo, mas que tem se mostrado consistente. Sua colaboração com David Fincher é uma prova da qualidade do seu trabalho.

Personagens femininas e seus figurinos em filmes de ação

Furiosa Mad Max

Nós sabemos que a representação feminina em filmes é problemática em geral, mas o que dizer das roupas pouco práticas utilizadas em filmes de ação ou aventura?

Juventude Transviada

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Roupas que marcaram época e gerações e uma direção de arte impecável em um filme clássico que eternizou James Dean como ícone que é.

Carol

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“Elegante” é o adjetivo que melhor descreve o último filme de Todd Haynes. Sandy Powell, figurinista veterana, criou para ele peças bonitas e que casam com a estética do conjunto. Como não se apaixonar por Carol (ou Therese)?

Para ler os demais textos sobre figurino no blog, acesse aqui.

Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, 2016)

Em Invocação do Mal 2 o diretor James Wan retoma a narrativa supostamente real do casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), famosos investigadores de fenômenos sobrenaturais. Dessa vez eles partem para investigar o Poltergeist de Enfield, como ficou conhecido o caso que aconteceu na Inglaterra no final dos anos 70. Janet Hodgson (Madison Wolfe), uma menina de 11 anos ouvia a voz de Bill Wilkins, um homem que dizia ter morado (e morrido) na casa em que ela morava com a mãe, Peggy (Frances O’Connor), a irmã mais velha, Margaret (Lauren Sposito) e Billy (Benjamin Haigh) e Johnny (Patrick McBurney), seus dois irmão pequenos. Lorraine não queria mais que eles se envolvessem com esse tipo de fenômeno, em virtude da grande exposição midiática que receberam com o que ocorreu em Amityville e da crença de que estavam prejudicando suas vidas pessoais, permitindo que entidades malignas se aproximassem de sua casa. À contragosto, aceitam investigar se o caso é forjado, à pedidos da Igreja. Dessa vez a trama gira em torno da fé e dos questionamentos dos protagonistas, bem como daqueles que os rodeiam. Em se tratando dos fenômenos abordados, não há nada de novo na película, mas ela ganha pontos quando se trata de estilo.

Como no filme anterior, aqui o design de produção é um dos pontos fortes. A recriação dos figurinos da família à partir de registros fotográficos e filmagens nos transportam para a época retratada e ainda acrescentam muito à narrativa em termos visuais, como o uso recorrente de vermelhos pelas meninas, causando um constante senso de perigo e dramaticidade, em contraste com os verdes e azuis calmos dos Warren e mesmo o roxo de sua mãe. O telefone amarelo, os bibelôs de porcelana e o sofá de couro surrado, por exemplo, são elementos comuns na decoração do período e também reforçam esse cuidado com os detalhes na cenografia e ajudam a construir a sensação de uma casa fria, embora cheia de vida.

Esse esmero é reflexo da elegância com que James Wan trabalha o gênero. Seus enquadramentos são cuidadosos, assim como uso de planos médios e longos. Destaco o plano-sequência em que a câmera passeia pelos cômodos da casa, apresentando o quartos das crianças e dando ao espectador a noção completa do espaço a ser explorado. Além disso, a forma como as entrevistas realizadas com Janet são recriadas para película, em comparação com as que ocorreram na realidade, acrescentam a elas a seriedade e a credibilidade necessárias para a narrativa. Em determinado momento todos estão de costas para Janet, que está falando com a voz de Bill Wilkins e cuja silhueta parece crescer no foco raso da câmera. Esse tipo de detalhe contribui para a construção de uma atmosfera repleta de tensão.

Outro ponto forte é a química entre o casal Warren, proporcionada pelo charme e boa atuação de seus intérpretes, além de Madison Wolfe, que também demonstra talento como protagonista.

Na sessão a que assisti o filme, houve um esforço de criar interação da sala de cinema com o que acontecia na tela: em uma cena específica, as luzes da sala se acenderam e piscaram de modo coordenado com o que se passava na história. Apesar de ser uma ideia interessante, o efeito geral foi de remover o espectador da trama, causando burburinho na plateia. Saí da sessão me perguntando se foi algo praticado com todas as cópias ou foi uma iniciativa local, mas não encontrei mais nenhum relato como esse, portanto parece ser a segunda opção.

James Wan mais uma vez entrega um filme de gênero elegante e bem construído, que se pauta em uma composição cuidadosa de cenários e figurinos, bem como no talento de seus atores principais. Com o sucesso desse filme, do mesmo modo como do anterior, e a quantidade de histórias envolvendo os Warrens da vida real disponíveis para adaptação, é fácil imaginar que outros filmes virão.

3,5estrelas

the conjuring 2

P.S. Se você ainda não foi assistir ao filme, preste muita atenção aos detalhes: uma palavra de grande importância na história aparece de maneira velada pelo menos três vezes na casa dos Warren, duas vezes na cozinha e uma na biblioteca.