Across the Universe (2007)

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Eu vou ser obrigada a interromper a seqüência de filmes do Oscar 2009 que estava preparando e postar sobre esse filme, que assisti com meu irmão, sob recomendação dele, no domingo.
Para começar eu devo dizer que esse filme é um musical. Mas com um diferencial: todas as canções são dos Beatles (são cerca de 30) e inúmeras outras referências a eles, como nomes de personagens, locais, entre outros. A diretora, Julie Taymor, é a mesma de Frida, onde ela já mostrou apuro visual no resultado final.
Os protagonistas são Jude e Lucy, um jovem operário de Liverpool que vai aos Estados Unidos em busca do pai e uma menina de classe média alta que resolve ir pra Nova York ficar um ano com o irmão, por causa da morte do namorado no Vietnã, respectivamente. A história de ambos se entrelaça porque Jude descobre que seu pai não é um professor universitário, como acreditava, e sim um faxineiro. E na universidade onde seu pai trabalha conhece e torna-se amigo de Max, irmão de Lucy. Os dois resolvem morar em Nova York e depois Lucy junta-se a eles. O filme retrata o período de maneira efervescente, abordando temas como hippies, o movimento anti-guerra, black power, beatniks, esquerdistas, contra-cultura e uma boa dose psicodelia. Mais tarde, Max também é convocado para a guerra. Ao mesmo tempo que os personagens se unem na cidade grande, se fastam por seus diferentes interesses. Jude descobre a arte como forma de expressão e Lucy, as manifestações políticas. Um dos pontos altos, para mim, foi a música Strawberry Fields Forever, quando Jude, irritado com o engajamento de Lucy, entra em uma “catarse artística” pollockiana e faz uma série de obras envolvendo morangos, enquanto Max luta no Vietnã. Essa passagem ainda é uma referência ao “quinto Beatle”, Stuart Sutcliffe, que desistiu da banda quando eles ainda não faziam sucesso e se apresentavam na Alemanha, para seguir carreira como pintor expressionista abstrato.Abaixo a cena:



Os figurinos são competentes a as coregrafias, nas partes em que existem, são muito bem feitas. Todo o visual é apurado e as músicas se encaixam na história perfeitamente, não sendo um mero adorno ao roteiro. As partes mais surrealistas enchem os olhos. As participações especiais foram interessantes: Joe Cocker interpretando um mendigo, um cafetão e um hippie (detalhe pras mãos dele que ainda tremem 40 anos depois do Woodstock!), Bono Vox, como Dr. Robert, um hippie que viaja num ônibus cheio de gente estranha pelo país, e Salma Hayek como enfermeira. A música que Joe Cocker canta, aliás, foi uma das melhores interpretações do filme, na minha opinião. Abaixo Come Together na voz de Joe Cocker:



Confesso que uma parte do meio do filme ficou um tanto quanto enfadonha: a parte do Bono. Psicodolia desnecessária e que nada acrescentou à história. E uma personagem, Prudence, também não acrescentou nada à história, sendo visivelmente uma desculpa para tocar Dear Prudence. Mas fora esses dois detalhes, o filme manteve o ritmo e se mostrou muito bom. Se a espectador não conhece as músicas dos Beatles, pode ficar um pouco desconfortável. E se for Beatlemaníaco, vai amar sem ressalvas. É uma belíssima homenagem ao quarteto de Liverpool.

Sir Paul McCartney assistiu o filme em sessão fechada e aprovou. Quem sou eu pra discordar dele?

Minha nota: 8,0
Nota do IMDB: 7,6

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Category: Cinema | Tags: ,
  • não li o texto, mas já vi a nota. chega deu uma coisa aqui no estômago. hahaha. não gostei do filme.
    tô saindo pra ufs agora, mas assim que chegar eu leio e digo pq não gostei do filme. =P

    ;*

  • Estamos alterando o blog… e temos de lembrar de colocar um link para você la.

    Vou mecher no link esta semana… providencio isto dai.

  • Bruna

    Já tinha visto uma matéria na tv sobre esse filme e fiquei com muuuita vontade de assistir. Mas pensei que nem ia ser lançado aqui no Brasil, já procurei sobre ele e não achei. Como tu conseguiu Isa? Quero muito assistir!

  • Infelizmente vou discordar de Paulie e de vc, Isa. hahaha
    como beatlemaniaco eu digo: queimem esse filme. todas as cópias. por favor. =P
    achei de uma falta de respeito tamanha com os besouros do ritmo. hehehe
    o filme parece ser da disney. é tipo um high school musical dos beatles. algo como: “quer que seu filho de 12 anos goste dos beatles? Manda ver across the universe”

    no começo eu tava até gostando, mas quando começou aquelas interpretações vergonhosas das músicas, eu não aguentei.

    a interpretação de dear prudence, de i wanna hold your hand, de it won’t be long e de i’m the walrus são constrangedoras demais.

    o ponto positivo é a interpretação mt boa de come together, como vc citou, e de all my loving no começo.

    o filme fica mais chato ainda quando começa a enfadada história de Sadie com o namorado, quase durmo nessa parte.

    quando vejo um filme que me incomoda tanto eu acabo não prestando atenção em detalhes importantes como figurino e tal.
    mas revendo fotos aqui no google eu reconheço que eles estão bem competentes.

    gostei do texto, mas espero nunca rever esse filme. hahahaha

    beijo, isa. ;*

    continue escrevendo, crida. tô curtindo o blog. 🙂

  • vou ouvir beatles aqui só pra matar a saudade. 🙂

  • ahahahaha Sim, eu achei I Wanna Hold your Hands chatinha tb, mas pq eu achei que a Prudence e todas as suas músicas poderiam ser riscadas do filme eheheh
    E sobre I´m the Walrus, como eu falei, achei essa a parte chata e nada a ver do filme hehehe
    De resto, achei bonitinho eheheeh
    Não sei se me considero Beatlemaníaca. Acho que não gosto de me considerar maniáca por nada. Mas digamos que já ouvi muito Beatle nessa vida hahaha

  • as partes românticas do filme são bonitinhas msm. mas a parte musical deixa a desejar. e olhe que eu gosto litros de musicais. 🙂

  • och

    tu e as palavras, quando se junto, me deixam quase sem fôlego! o filme é lindo demais…

    e eu te amo sempre! (F)

  • och

    quando se juntam* ^^

  • ALMIR SAMPA

    REALMENTE A PARTE PSCICODELICA DO FILME É TRISTE , MAIS A PARTE MUSICAL FICOU MUITO BOA , GOSTEI DE TEREM FEITO VERSÃO DAS MÚSICAS E NÃO SIMPLESMENTE CANTA-LAS COMO OS BEATLES ISSO DEU ORIGINALIDADE AO FILME , OS VOCAIS TAMBÊM ME AGRADOU , ME FEZ PENSAR COMO EXISTEM PESSOAS TALENTOSAS DAS QUAIS AGENTE NUNCA OUVIU FALAR E DE OUTRAS QUE A MUITO NÃO OUVIMOS FALAR COMO JOE COCKER .
    PRA TERMINAR QUERIA DIZER QUE NÃO GOSTO DE MUSICAIS , NUNCA TINHA ASSISTIDO UM INTEIRO , E ACROSS THE UNIVERSE CONSEGUIU ME PRENDER A ATENÇÃO , AH E PRA BEATLES MANIACO NEM PAUL NEM JOHN CANTANDO SEPARADOS É ACEITAVEL POIS O NOME JÁ DIZ MANÍACO ,INCAPAZES DE JULGAR UM TRABALHO PELO QUE FOI PROPOSTO , USAR AS LETRAS DAS MUSICAS DENTRO DO ENREDO DO FILME ! A PROPÓSITO OS BEATLES FIZERAM UMA PÁ DE MUSICAIS , NUNCA CONSEGUI ASSISTIR 10 MINUTOS DE NENHUM DELES , SABE PORQUE , PORQUE ELES NÃO ERAM ATORES MAS AINDA ASSIM NÃO DEIXEI DE GOSTAR DOS CARAS RSRSRSR

  • Paulo Negrão

    Só eu achei que fizeram umas homenagens?
    Jimi Hendrix, janis joplin, kurt, john lennon…
    ou é viagem minha?

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