Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness/ 2013)

Assistido em 16/06/2013

Antes de falar desse novo filme do reboot, quero fazer um comentário que soará hipster e/ou pedante. Há dez anos (ou mais) quando se falava na tradicional rixa entre Star Trek e Star Wars, a maioria das pessoas, pelo menos da minha faixa etária, ou escolhia o segundo sem pestanejar ou jamais sequer tinha assistido algo do primeiro. Por isso, como eu cresci assistindo Star Trek (a série original) com meu pai (e sempre foi a minha preferência, sem dúvida) é estranho ver esse revisionismo em que agora Star Wars é criticado pela inconsistência e imaturidade (além de uma segunda trilogia descartável) e Star Trek é elogiado, embora essa tenha sido minha posição há tempos.

Dito isso, vamos ao filme. Revi o primeiro Star Trek esses dias ( e esqueci de escrever a respeito) e acho que ele apresenta muito bem os cenários e os personagens. O Kirk (Chris Pine) do filme é mais impulsivo que na série, mas é mais jovem também. Spock (Zachary Quinto) continua sendo a razão, embora seu lado humano transpareça mais e McCoy (Karl Urban), que agora é chamado pelo seu apelido Bones, continua sendo a emoção, ambos gravitando em torno de Kirk. É muito fácil reconhecer cada um dos personagens, passando por Uhura (Zoe Saldana), Sulu (John Cho), Scotty (Simon Pegg) e Chekov (Anton Yelchin). O elenco todo foi muito bem escalado e demonstra funcionar bem no conjunto. No segundo filme, Além da Escuridão, com os personagens já apresentados, temos o enfrentamento de um vilão, John Harrison, interpretado fantasticamente por Benedict Cumberbatch. John esteve congelado criogenicamente por trezentos anos e tem força e inteligência acima do normal. Pena que ele é derrotado de forma tão rápida e fácil, no final das contas.

O filme tem um ótimo ritmo e diálogos perspicazes e bem-humoradas como a série original. A forma como ele começa, em um planeta desconhecido e habitado por alienígenas humanoides e um vulcão prestes a entrar em erupção também remete muito a ela. Parece-me que o novo trio principal passou a ser Kirk, Spock e Uhura. Lamento um pouco que McCoy esteja mais em segundo plano, por ser um personagem que gosto muito, mas gosto da expansão do papel da Tenente. Zachary Quinto prova que de todas as escolhas acertadas no elenco principal, ele é a maior de todas. Conseguir desvincular um personagem tão icônico de seu intérprete original (Leonard Nimoy) é para poucos. O diretor J. J. Abrams não perdeu o seu gosto pelos reflexos de luz na lente (lens flare), mas acho que é algo que temos que aceitar como parte de seu estilo. Ele fez o que Peter Jackson não conseguiu fazer no primeiro O Hobbit: preencher a narrativa com referências suficientes para agradar os fãs antigos, sem enfadar os demais. Impossível não sorrir de orelha a orelha ao ouvir McCoy falando “I’m a doctor, not a torpedo technician!“, as piadinhas com os “camisas vermelhas” ou quando Spock (pequeno spoiler a frente) grita “Khaaaan!”. Além disso a trilha sonora de Michael Giacchino, especialmente quando ele trabalha em cima do tema clássico, é muito eficaz.

Minha maior crítica seria que o 3D, convertido, é absolutamente descenessário. Cheguei a tirar os óculos em algumas momentos e não fez diferença alguma. Mas essa, infelizmente, era a única opção para assistir legendado.

Obviamente o filme tem muito mais ação que os antigos costumavam ter. Também é difícil fazer cenas de ação convincentes em estúdio pequeno e com pouca verba disponível. De qualquer forma, para mim, os diálogos continuam afiados. E com o filme terminando com o começo tradicional da série (“Espaço: a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Em sua missão de cinco anos, para explorar novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.”) eu espero que no terceiro capítulo dessa nova série nós voltemos a explorar outros planetas.

Para ler a minha análise do figurino, acesse aqui.

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