Aqui é o Meu Lugar (This Must Be the Place/ 2011)

Assistido em 14/11/2013

“If we’re licensed to be monsters, we end up with only one desire; to truly be monsters”

Ao longo de sua carreira Sean Penn colecionou grandes atuações. Aqui é o Meu Lugar é mais um exemplo do talento do ator. No filme dirigido por Paolo Sorrentino, o ator interpreta Cheyenne, um ex-astro do rock que parou de se apresentar vinte anos antes. Parece carregar traumas relacionados ao suicídio de dois fãs. Vive na Irlanda com sua esposa Jane (Frances MsDormand), que é bombeira e ainda tem uma amiga-fã, Mary (Eve Hewson), uma garota para quem ele tenta bancar o cupido. Cheyenne tem trejeitos ao andar, fala baixa e hesitante e se esconde atrás de espessa maquiagem branca, com olhos marcados em preto e batom vermelho. Mesmo tanto tempo fora dos palcos, não deixou para trás sua antiga persona e parou no tempo, na época do sucesso. De fato, ele parece ter dificuldade em superar emocionalmente os problemas em sua vida. Sempre aparece arrastando um carrinho (seja um de supermercado, seja uma mala de rodinhas posteriormente), como se estivesse constantemente lidando com uma imensa bagagem emocional.

Certo dia ele recebe a notícia de que seu pai estava a beira da morte. Não se comunicava com ele há décadas, pois achava que ele o odiava. O pai morava nos Estados Unidos, mas Cheyenne tem medo de avião, por isso faz a viagem de navio. Não por acaso, chega tarde demais. O pai residia em um tradicional bairro judeu. Quando jovem havia sido preso em um campo de concentração e Cheyenne descobriu que sabia que um dos guardas do campo estava vivo e morando no país. Em busca de uma vingança não planejada e de um fechamento para sua própria relação com o pai, parte em uma viagem por várias locais para encontra-lo.

A trama do filme não se prende a nada específico, além do personagem. Por isso o ótimo desempenho de Sean Penn é essencial para sua apreciação. A fotografia se faz valer de muitas tomadas bonitas, muitos travellings, e luzes e sombras bonitos. Talvez o ponto fraco seja justamente a falta de foco, embora a história nunca se torne desinteressante.

A jornada de Cheyenne nos permite conhecer o homem de coração aberto que se esconde atrás da maquiagem. Ao mesmo tempo, vemos as pessoas que fazem contato com ele, cada uma um ser humano único. Como um autêntico road movie, o que se trabalha é o auto-descobrimento. No meio do caminho Cheyenne se dá conta que é, em relação ao seu pai, é tarde demais. Quando chega ao destino final, nem sabe exatamente o que pretende fazer. O ex-nazista Aloise Lange (Heinz Lieven) lhe fala que todos todos tiveram suas juventudes roubadas. É fato: ele teve a sua roubada por um regime político que se instalou em seu país; o pai de Cheyenne teve a sua roubada pelo mesmo regine, no campo de concentração; Cheyenne teve a sua roubada pelo sensação de ser odiado e nunca deixar para trás. Até mesmo seus jovens fãs tiveram as suas tolhidas no suicídio. A punição que impinge ao velho é ao mesmo tempo inócua e cruel, pois não mudará nada. Mas aparentemente foi necessária para que conseguisse se desvencilhar de suas bagagens e se apresentasse como um novo homem. Nesse contexto, essa é a beleza inexorável da vingança.

“Pain is not the final destination”

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  • Alejandra Álvarez

    Esta nova série The Knick com Eve Hewson tem enlouquecido me que ela tinha ouvido falar sobre mim e eu achei muito interessante.