As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower/ 2012)

Assistido em 07/04/2013

Baseado no livro homônimo, As Vantagens de Ser Invisível tem uma vantagem que poucos materiais adaptados têm: seu autor também o adaptou e dirigiu. Isso facilita na transcrição das emoções diretamente para a tela. O protagonista, Charlie (Logan Lerman), é um garoto de 14 anos em seu primeiro ano de 2º grau, no início dos anos 90. Ele é deprimido, retraído, toma remédios e sua família (pai, mãe, irmão mais velho na faculdade e irmã mais velha ainda no colégio) se preocupa muito com ele. No começo do ano ele conhece amigos novos, os meio-irmãos Patrick (Ezra Miller, que já havia feito fantasticamente Precisamos Falar Sobre Kevin) e Sam (Emma “Hermione” Watson). Através desse contato inicial, ele passa a integrar um grupo de amigos e descobre amizade, aceitação, amor e certo alívio para suas dores.

Charlie é um personagem fácil de se identificar  porque acredito que quase todos já se sentiram deslocados de alguma forma durante seu período de colégio. Apesar disso ele tem um certo senso de auto-importância. Certa hora, conversando com seu professor de literatura, pergunta porque as pessoas às vezes não namoram a pessoa certa. Na sua própria cabeça, a pessoa certa é ele mesmo e não consegue ver a razão de seu afeto envolvida com outro. Por outro lado ele está sempre aberto para novas experiências (incluindo festas, drogas, músicas…) e entende rapidamente o desconhecido.

Engraçado que pelo meio do filme não pude deixar de pensar que o roteirista deveria ser homem. Ao verificar se essa crença era verdade, deparei-me com o fato já citado, de o autor do livro, roteiro e diretor ser a mesma pessoa (e homem). É fácil perceber isso porque o único personagem bem desenvolvido é Charlie. Patrick ainda tem suas nuances, mas todas as personagens femininas, mesmo as com bastante participação, são unidimensionais.  Há a menina que sofre abuso sexual no passado e lida com isso sendo extrovertida, há a mandona, a artística, a preocupada-maternal: todas elas não passam de recortes projetados pelo olhar de Charlie.

Apesar de ter achado um bom filme sobre crescimento, gostado dele e ter achado que tem seus momentos emocionantes, algo não me convenceu. O clima de depressão regado a Smiths às vezes parece tão artificial quanto o quarto dos ano 90 da Sam, que parece saído do Pinterest em 2013. E quando Sam e Patrick vão para a faculdade e voltando dois meses depois com a mensagem de que as coisas melhoram, dá para pensar se melhoram tão rápido assim. Parece-me um saída fácil demais para os personagens. Afinal, dizem que a escola nunca acaba e mudam as datas e os lugares, mas por dentro as pessoas ainda são as mesmas.