Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd/ 1950)

Assistido em: 10/02/2013
Sem querer esse é o terceiro filme do diretor-roteirista Billy Wilder em um mês. E que filme! Até me faltam palavras. Com uma fotografia impressionante, na sequência inicial, quando vemos carros de polícia andando nas ruas e chegamos a um corpo numa piscina (numa tomada belíssima), já estou presa à trama. Nela, a protagonista é Norma Desmond, uma ex- estrela do cinema mudo (interpretada fantasticamente por Gloria Swanson) que está afastada das câmeras e aparece em misto de desespero e loucura, mergulhada em suntuosidade do passado. Ela conhece um roteirista, Joe (William Holden) e o contrata para refinar um roteiro que escreveu ao longo da vida e que planeja ser seu retorno triunfal às telonas. Aos poucos Norma enreda Joe em sua vida, de maneira que ele se vê morando com ela, sendo sustentado em uma vida de luxos, deixando de lado a própria carreira.
Uma das coisas mais interessantes do filme é como ele referencia o próprio cinema. A começar pela própria Gloria Swanson, que também foi estrela do cinema mudo. Um personagem que interpreta um antigo diretor dos primeiros sucessos de Norma, dirigiu Swanson naquela era. Atores famosos da época interpretam eles mesmos em algumas cenas, além do diretor Cecil B. DeMille. Além disso algumas cenas se passam nos estúdios da Paramount, que produziu o filme. Dessa forma as referências se conectam e criam uma relação entre a ficção e a realidade. É até espantoso, pois a indústria cinematográfica é retratada como cruel, com memória curta e com facilidade para descartar pessoas.
Apesar das onze indicações ao Oscar no seu ano, Crepúsculo dos Deuses levou apenas três estatuetas, em categorias técnicas (Direção de Arte, Música e Roteiro). Isso porque no mesmo ano A Malvada, comentado aqui há pouco tempo, foi o grande filme. É complicado comparar ambos, mas é interessante a coincidência de ambos abordarem a história de uma estrela do passado, uma no cinema e outra no teatro (embora Margo de A Malvada ainda atuasse). E embora seja injusto analisá-los tantos anos depois, acredito que Crepúsculo dos Deuses é um filme mais forte, especialmente em termos de roteiro e fotografia. Mas sempre há aqueles anos em que a competição acirrada entre grandes filmes dificulta a escolha. As demais indicações foram para melhor Ator (William Holden), Ator Coadjuvante (Erich von Stroheim ), atriz (Gloria Swanson ), Atriz Coadjuvante (Nancy Olson), Fotografia em Preto e Branco, Direção, Montagem e Filme.

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