O Grande Gatsby (The Great Gatsby/ 1974 e 2013)

Assistidos em 11 e 12/06/2013

THE GREAT GATSBY

Festança e riqueza!

Antes de mais nada devo dizer que não, eu não li o livro homônimo de F. Scott Fitzgerald antes de ver essas adaptações cinematográficas. Ano passado, quando comecei a ver notícias sobre o filme, me propus a ler, mas isso acabou ficando pelo caminho. Logo não comentarei a respeito da qualidade das adaptações entre as mídias, resumindo-me a falar da minha percepção à respeito das obras cinematográficas.

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Robert Redford e Mia Farrow, Gatsby e Daisy insossos

O Grande Gatsby de 1974 tem roteiro de Francis Ford Coppola e foi dirigido por Jack Clayton. Já a versão de 2013 foi co-roteirizada e dirigida por Baz Luhrmann. Para quem não está familiarizado com a história, trata-se de uma crítica à sociedade americana consumista da década de 20, em que grandes fortunas se criavam rapidamente (e que veio a ruir com a crise de 1929). O ano é 1922 e Jay Gatsby é um novo milionário que sempre organiza enormes festas luxuosas em sua mansão em frente ao mar, onde comparecem todos os ricaços da época. Todos se perguntam quem ele é e de onde veio sua fortuna. Nick Carraway é seu vizinho, tendo alugado uma casa simples ao lado da dele. Gatsby tem interesse no contato com Nick pois este é primo de Daisy, o seu grande amor que não via há cinco anos. Ela agora está casada com Tom Buchanan, um marido infiel, e mora do outro lado da baía. Luhrmann acrescenta à narrativa uma visão completamente desnecessária de Nick no futuro, em tratamento contra alcoolismo e depressão, falando dos acontecimentos para seu médico.

Como era de esperar, a versão de Luhrmann (que já havia nos entregado Romeu + Julieta e Moulin Rouge) é colorida e ruidosa, seguindo seu estilo. A primeira metade, onde os personagens são apresentados, bem como as festas, é vertiginosa. Como em seus filmes anteriores, ele utiliza de uma trilha sonora contemporânea, mas ao contrário de em Moulin Rouge, aqui ela não funciona. O primeiro tratava-se de um filme musical e além disso, sobre teatro (e teatral), então as liberdades tomadas não destoaram da ambientação dele; já nesse as músicas atrapalham na criação da época nas cenas.

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No filme de de 1974 as festa são tratadas de maneira realista, dos trajes, aos passos de dança à escala. Em 2013, tudo é excessivo também: da quantidade de pessoas nas festas, ao figurino, aos cenários gigantescos. Nesse caso, entendo que ajudaram no retrato dos exageros e torna as cenas visualmente interessante. Apesar disso o figurino extremamente anacrônico realmente prejudicou em certas horas, já que a maior parte dos trajes, especialmente femininos, são peças de passarela contemporâneas, muitas com silhuetas muito distantes da época retratada. Em ambos, o fato de a história se passar ao longo do verão, o uso de tons pastel predomina. O terno rosa de Leonardo DiCaprio rouba a cena: lindo e bem cortado. Interessante como hoje em dia o conservadorismo domina o guarda-roupa masculino e dificilmente alguém teria coragem de vestir algo assim.

Apartamento de Myrtle

Apartamento de Myrtle

O 3D é muito bonito e em várias cenas percebemos o cuidado do diretor em utilizá-lo corretamente, como quando vemos janelas de um prédio se destacando de sua fachada ou o próprio texto do narrador, Nick, voando na tela. Os cenários são ricos em detalhes, mas destaco um dos menores: o apartamento kitsch alugado por Tom para sua amante, Myrtle: todo colorido em tons de vermelho, casando com a o vestido de babados dela (e suas bijuterias de plástico). A cor viria se repetir depois no quarto de hotel ao fim do filme, mas dessa vez com uma carga bem mais dramática e opressiva.

Quarto do hotel

Quarto do hotel

Leonardo DiCaprio é um Gatsby caloroso e simpático, de uma forma que Robert Redford não consegue ser. Redford parece estar atuando no automático, enquanto DiCaprio encarna um personagem fácil de defender. Sobre Daisy, a versão de Mia Farrow também é problemática: parece tolinha, com a cabeça sempre nas nuvens, enquanto a de Carrey Mulligan funciona melhor, num misto de fragilidade e doçura, que, embora sejam características de sua interpretação por vezes monotônica, prestaram-se muito bem ao papel. O Tom Buchanan de 2013 é fantástico, graças à interpretação de Joel Edgerton. Já a Myrtle, amante de Tom, é melhor desenvolvida no filme anterior.

A Daisy de Carey Mulligan

A Daisy de Carey Mulligan

A segunda metade do filme de Luhrmann desacelera e torna-se mais tenso. Com menos interferência das músicas, flui melhor. Não tenho certeza, mas tenho a impressão que o desfecho do filme contém uma leve homenagem a Crepúsculo dos Deuses.

Em resumo, sobre os filmes, a história em si parece ter bastante potencial (e é certo que agora lerei o livro). Ao final temos uma versão raquítica e desinteressante e uma excessivamente barulhenta. Entre as duas, fico com a mais recente, já que, problemas à parte, em nenhum momento enfada o espectador; muito pelo contrário: nos deixa sem fôlego e imersos em sua linguagem. Oferece interessantes poemas visuais, boas interpretações, imagens bonitas, emocionantes e instigantes que ficam martelando na mente e um conjunto que permanece em nossa memória muito depois de o filme terminar. Mesmo com tantos erros, Baz Luhrmann chegou bem perto do acerto.

Obs: Se você quiser ler minha análise sobre o figurino do filme, acesse o link.

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THE-GREAT-GATSBY-Poster

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