Cinderela em Paris (Funny Face/ 1957)

Assistido em 22/01/2013


Vou chamar de Funny Face mesmo, porque não acho que ninguém use o nome em português. Funny Face, estrelado por Audrey Hepburn e Fred Astaire não é um bom filme, na maneira como as pessoas entendem bons filmes. Para começar, é um musical. Quase todo mundo odeia musicais! Eu não, mas nesse caso, não é um bom musical. As músicas não empolgam, Audrey cantando é apenas OK e Fred Astaire é totalmente desperdiçado, pouco dançando. A história não é lá das mais inspiradas: uma revista de moda (inspirada na Harper’s Bazaar) está à procura de uma modelo que represente suas leitoras e quando estão fazendo um ensaio em uma livraria, o fotógrafo Dick (Astaire) se convence que a livreira Jo (Hepburn) é perfeita para isso, com um rosto desconhecido e bonito. Aí vem a parte patinho feio, em que ela é tirada de seus trajes marrons e largos e vai para Paris ser fotografada. O romance da história consegue ser mais sem química que o do personagem de Audrey em Sabrina. Astaire é 30 anos mais velho, e seu personagem é controlador e ciumento. Fica difícil engolir.
Agora, o filme não deve ser descartado completamente, pois ele se tornou referência visual para muita coisa posterior. Paris fica linda na fotografia bem executada. A cena de dança que Audrey executa em um café é marcante, com aquela atmosfera beatnik e a calça cigarrete preta com mocassim igualmente preto com meias brancas (alô Michael Jackson!). Essa cena já serviu de inspiração para clipes de Whitney Houston e Beyoncé. E sei que é clichê elogiá-la, mas o figurino de Edith Head é perfeito e muito bem complementado pelas roupas de Givenchy que Jo veste em Paris. O estilista nãop oderia ter melhor garota propaganda e melhor veículo de mídia que esse. Há também que se prestar atenção nos créditos de abertura, com belas fotos de Richard Avedon, fotógrafo em quem o personagem Dick foi inspirado.

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Isabel Wittmann

Catarinense, 33 anos, louca por bichos, feminista. Hoje mora em São Paulo, mas já passou uns anos no Amazonas. Crítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, podcaster e pesquisadora de gênero.