A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo/1985)

Assistido em 01/11/2013

“I just met a wonderful new man. He’s fictional but you can’t have everything.”

Essa charmosa comédia-romântica dirigida com Woody Allen flerta com a fantasia e ao mesmo tempo nos fixa à realidade. A história se passa durante a Grande Depressão nos Estados Unidos e a personagem principal é Cecília (Mia Farrow), que trabalha como garçonete. Seu marido está desempregado, mas não parece muito disposto à procurar emprego. Cecília é apaixonada por cinema, adora ver os filmes e sabe tudo sobre suas estrelas. Ao ser demitida do emprego, passa o dia assistindo a um filme em cartaz que havia gostado: A Rosa Púrpura do Cairo (um filme dentro do filme). Acontece que lá pelas tantas um dos personagens da película, o arqueólogo aventureiro Tom Baxter (Jeff Daniels), percebe que elá já está assistindo pela enésima vez e fala com ela. Encantado com sua presença, Baxter sai da telona.  Apaixonado por Cecilia, ele quer viver livre no mundo real, embora não saiba exatamente as implicações disso. Ela fica envolvida pelo romance, já que em casa está presa a um ciclo de pobreza e violência causado pelo marido abusivo e beberrão. É por isso também que trata o cinema como um escapismo. As ações de Baxter trazem graves consequências para os demais envolvidos, dos personagens da película aos produtores e o próprio ator, Gil Shepherd (Jeff Daniels), que viaja até a cidade de Cecilia para tentar resolver a questão e convencê-lo a voltar para a telona.

A narrativa quase fabulesca se constrói no desejo por um final feliz, como os dos filmes do cinema. O figurino, bastante simples, quase poderia pertencer a qualquer período, apenas com algumas marcações da época, como o chapéu de Cecilia e a largura da lapela do blazer de Shepherd. É interessante que fora do filme preto e branco do cinema, as roupas também não são coloridas: tudo é feito em tons de bege, para ressaltar a insipidez de nosso mundo.

Ao final Cecilia precisa decidir entre uma vida de cinema que seria real e uma vida real que se oferece como uma vida de cinema. Opta pela segunda e descobre que a realidade sempre será decepcionante. O final feliz só acontece na magia do cinema.

Em cerca de uma hora e vinte minutos, Woody Allen construiu uma pequena joia que ao mesmo tempo homenageia a sétima arte e nos deixa torcendo por sua personagem principal, mesmo cientes da irrealidade dos fatores envolvidos. Um incrível experiência de criação de expectativa e frustração que se exprime, afinal, em satisfação.

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