Trapaça (American Hustle/ 2013)

Assistido em: 10/02/2014.

Quase todo ano é aquela polêmica: David O. Russel dirige um filme, este recebe trocentas indicações ao Oscar e o mundo se divide entre os que concordam e os que não concordam. A bola da vez é Trapaça, filme sobre golpistas profissionais que se passa em 1978. Com narrações em off em que cada personagem explica como foi parar onde está, a trama começa com Christian Bale (que ganhou cerca de 20 quilos para o papel) interpretando Irving Rosenfeld, um homem que ganha dinheiro de comissão por empréstimos prometidos e nunca entregues. Em uma festa na casa de um amigo, conhece Sydney Prosser (Amy Adams), que torna-se sua parceira dentro e fora dos mundos dos golpes. O que nos é revelado pouco depois é que ele é casado com Rosalyn (Jennifer Lawrence), uma mãe solteira cujo filho adotou e que permanece a maior parte do tempo deprimida em casa. Certo dia Irving e Sydney são procurados por um potencial cliente, que revela-se um agente do FBI, Richie DiMaso (Bradley Cooper). Richie oferece a eles a chance de permanecerem livres se o ajudarem a aplicar um golpe em pelo menos cinco políticos corruptos ou mafiosos visando prendê-los em flagrante, entre eles o prefeito Carmine Polito (Jeremy Renner), que supostamente aceitaria propinas. Acontece que o sistema também é falho: composta por pessoas gananciosas e ambiciosas, a Lei pode ser pior que o político corrupto. E a boa intenção e até ingenuidade de Carmine é comovente.

design de produção da película é impecável: aqui temos um mundo altamente estilizado remetendo ao período, recheado de papéis de parede espalhafatosos, decorações de gosto duvidoso e, claro, figurinos (criados por Michael Wilkinson) exagerados, que , aliados aos penteados, colocam os personagens sempre a um passo do caricatural, mas jamais chegando lá. A trilha sonora também é bastante boa e contribui com o clima das cenas.

A primeira metade do filme é bastante divertida, nos posicionando diante desse leque tão variado de personalidades. Na segunda metade a história passa a ficar truncada. O excesso de detalhes e explicações, bem como a maneira como a ação se desenrola, aos tropeços, prejudicam o ritmo e tornam-no cansativo.

As atuações são um forte do filme. O destaque, sem dúvida, fica por conta de Amy Adams, que transita entre a auto-confiança e a fragilidade de sua personagem de forma linda. Muitos comentaram sobre a pouca idade de Lawrence para o seu papel, mas não concordo com isso: faz todo sentido que uma mulher jovem aceite um casamento praticamente sem amor, visando proteger seu filho. Bale e Renner também estão ótimos.

Trapaça está longe de ser um filme fantástico: trata-se de um mediano, com algumas interpretações competentes e um design de produção em que os envolvidos visivelmente se divertiram trabalhando (com ótimos resultados). Mas para melhor filme de 2013, passa longe.

Para ler uma análise mais detalhada do figurino desse filme, acesse aqui.

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