Estante da Sala

Gravidade (Gravity/ 2013)

Assistido em 11/10/2013

Aviso: pode conter revelações da trama.

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Acredito que a essa altura praticamente todos que queriam se manifestar sobre Gravidade já o fizeram. Em geral a crítica tece elogios rasgados ao filme. Com uma ansiedade que eu não tive desde Anna Karenina, fui assisti-lo na primeira noite de exibição e não me decepcionei. Saí de lá falando pra todos “eu já sabia!”. Porque eu já sabia! Acho que foi mais ou menos por 1997 que eu eu vi A Princesinha pela primeira vez e gravei aquele nome em letras douradas que aparecia nos créditos de abertura e pensei “esse cara é bom”. Bem, em 1997 eu não tinha muita ideia exatamente de porque eu tive essa sensação, mas dali pra frente toda vez que eu ouvi ou li o nome dele, precisava parar para ver do que se tratava. Então posso dizer que há pelo menos uma década e meia eu depositei as minhas esperanças nele e aguardei todo mundo ver o que eu tinha visto. E parece que o momento chegou: a direção de Gravidade é absolutamente impecável e o mundo se rendeu a Cuarón. (Sim, esse texto vai ser emotivo e rasgado).

A premissa é bastante simples: Ryan (Sandra Bullock) é uma engenheira que está fazendo manutenção em um satélite juntamente com o astronauta veterano Matt (George Clooney), quando destroços os atingem deixando-os flutuando sozinhos no espaço. Clooney funciona muito bem interpretando ele mesmo, o homem de sorriso aberto, bonachão e simpático. Cuarón consegue extrair de Bullock o que provavelmente é a melhor interpretação de sua carreira. Com um rápido diálogo após os eventos iniciais, já estabelecemos conexão emocional com ambos os personagens, através da forma como suas vidas ficam expostas.

A sequência inicial, aliás, é belíssima. Como já havia feito em Filhos da Esperança, Cuarón aqui executa muitos minutos (mais de dez, talvez?) sem nenhum corte aparente. A câmera dança no espaço em torno dos personagens, nos ajudando a mergulhar em seus dramas (e mesmo literalmente mergulhando no capacete de Ryan, atravessando seu vidro). O trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki não pode passar sem um elogio: o filme se passa como em um balé, quase pode-se sentir a câmera dançando na falta de gravidade junto com os protagonistas. O 3D, mesmo que convertido, serve muito ao filme, tornando a experiência toda ainda mais imersiva.

Mas nem só de imagem se faz um filme e os som também está muito bom. O absoluto silêncio no espaço ajuda a conferir dramaticidade às sequências. Dentro do capacete de Ryan, temos a noção do som. Sua respiração ofegante aumenta a ansiedade e em certos momentos podemos ouvir as batidas de um coração.

Daí para a frente, tudo é tensão e medo por Ryan. Ela está quase sem oxigênio e você fica quase sem ar em sua poltrona. Muitas vezes encrespei a mão no braço dela ao longo do filme. A sensação de claustrofobia, mesmo presenciando o espaço aberto, é intensa. Apenas ao final consegui inspirar fundo e sentir como se tudo voltasse ao normal. É interessante que Renato Silveira tenha comparado o filme com Mar Aberto, pois uma das minhas companhias na sessão disse justamente que a agonia e a tensão lembravam a sensação de ver aquele filme.

A sequência em que Ryan consegue se abrigar em uma cápsula espacial, livra-se de seus trajes espaciais e flutua em posição fetal, com os cabos compondo uma espécie de cordão umbilical é de uma beleza poética. A metáfora da gestação e do começo da vida segue ao longo do filme. Ryan não quer apenas sobreviver ao acidente. Ela quer se curar de seu passado, das perdas com as quais não soube lidar e das quais fugiu. Quando a cápsula cai na água, ela abre a porta e se vê cercada de água por todos os lados. Esse é o momento do nascimento, em que a bolsa se rompe e Ryan volta à vida, lutando por ela. Arrasta-se para a margem, como um ser primordial, que migrou da água para a terra. E juntando suas forças, se ergue, aprendendo a dar os primeiros passos de novo em gravidade, como um bebê.

Tecnicamente o filme é impecável. A história prende de maneira absurda e desde que o vi, já sinto vontade de revê-lo. As atuações estão muito boas (e Ed Harris como a voz da comunicação foi um toque interessante, dado seu papel em Apollo 13). A beleza da fotografia e e trama simples, mas bem executada, com uma bela metáfora, fecham com tudo que esperava do filme. É um filme que se beneficia ainda mais que o normal da experiência de ser visto no cinema, pois exige total imersão.  Já pode-se dizer que é um dos melhores do ano, sem dúvida. Que filme!

gravity poster

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8 thoughts on “Gravidade (Gravity/ 2013)

  1. One thing I have actually noticed is the fact that there are plenty of misguided beliefs regarding the financial institutions intentions when talking about foreclosures. One myth in particular is the fact the bank prefers to have your house. The bank wants your cash, not your home. They want the cash they gave you with interest. Preventing the bank will still only draw a foreclosed final result. Thanks for your write-up.

  2. It’s a really useful piece of writing. Thank you for getting a lot of tips in your writing. Please always post a lot of useful posts.

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