Diário de Uma Paixão (The Notebook, 2004)

Assisti esse filme há muitos anos e lembro-me de não ter ficado nada impressionada. Com o passar do tempo, percebi que muitas pessoas gostam genuinamente dele e resolvi, então, revê-lo. Acho que dessa vez gostei menos ainda.

É fácil tentar simpatizar com a trama: história de amor proibido, “Romeu e Julieta”, capaz de superar todos os obstáculos? Como não gostar? Dois bonitinhos, Ryan Gosling e Rachel McAdams nos papeis principais, como Noah e Allie e teríamos a fórmula perfeita, certo? Acontece que tudo parece dar errado nessa combinação.

A história, baseada em uma romance de Nicholas Sparks, é puro açúcar. Certos diálogos me fizeram ter esgares de horror ao assistir. “Você acha que nosso amor pode fazer milagres?”.”‘Diga que eu sou um pássaro’,’Você é um pássaro’, ‘Agora diga que você é um pássaro’, ‘Se você é um pássaro, eu sou um pássaro'”. Gaaah, como alguém pode escrever algo assim e sair ileso?

Além disso Noah não é romântico: antes mesmo de começarem a relação suas atitudes são abusivas e beirando o stalking, o que muitas vezes é confundido com obstinação e paixão em filmes desse tipo. A mocinha disse “não”, então é “não”. Não seja abusado, rapaz. Allie por sua vez é retratada como uma figura inepta e completamente incapaz de tomar decisões por si própria. Deve ser por isso que ela só namora com homens que a constrangem até conseguirem fazer ela aceitar um encontro.

O figurino da década de 1940 é bastante bonito e usa as cores de maneira escancarada. A jovem Allie se veste de vermelho, com um colar de pérolas, quando está com Noah, passando a usar lilás (mistura de azul e vermelho) e depois que noiva, começa a usar azul. Já Noah usa roupas de jovem trabalhador, com camisas brancas encardidas. Mas quando se arruma, veste preto total, mesmo em um almoço no jardim em pleno verão, na casa dos pais dela, onde todos os demais vestem-se adequadamente de branco. Para o expectador menos atento, as versões mais velhas dos dois continuam vestindo-se de vermelho com pérolas e de preto, respectivamente, mostrando quem são os personagens antes de revelar-lhes o nome. As roupas são bonitas e cumprem seu papel, estabelecendo momentos e diferenciando classe social e estados emocionais.

Os atores principais entregam-se aos papéis, mas ainda assim não há química entre eles. A cena mais crível é aquela em que terminam o namoro para que ela vá para a faculdade. Ali parece que uma genuína emoção perpassa o momento. O restante do conjunto é composto por cenas feitas para parecer bonitinhas, os diálogos já citados e a exposição de sua beleza (sem reclamações aqui).

O final do filme é tão piegas que não há palavras para expressar o que senti. Eu não li o livro, mas acredito que o diretor Nick Cassavetes já de partida não recebeu o melhor material para trabalhar. Não sei se poderia ter feito algo muito melhor que isso. Pelos menos tentou transformar em algo visualmente agradável.

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