Django Livre (Django Unchained/ 2012)

Assistido em 31/03/2013

Só muito recentemente comecei a assistir filmes de western (nosso bom e velho “bang-bang”), então não entendo muito do gênero. As histórias de honra e vingança não me pegam, mas gosto das tomadas lindas e lentas de Sergio Leone. Aqui Tarantino se propôs a homenagear esses filmes já clássicos. Todo tipo de problema aconteceu durante a produção, atrasando-o e levando atores a abandonarem o projeto até a última hora. Um pouco disso transparece no resultado final. Não me levem a mal, antes de tudo devo confessar que não gosto dos trabalhos de Tarantino. Na minha opinião ele faz a colagem de suas (extensas) referências como ninguém e nunca entregou um filme que pudesse ser considerado ruim. Mas por outro lado acho que a violência mostrada em seus filmes infantiliza e empobrece o resultado final: parece refletir os desejos sanguinários de um adolescente, mais ou menos como as séries da HBO fazem com sexo. Não é à toa que meus filmes preferidos dele sejam justamente Jackie Brown (detestado pela maioria) e Bastardos Inglórios, que, nesse sentido, mostram-se mais polidos que os trabalhos anteriores.

Em Django a ideia é bastante similar a Bastardos Inglórios: temos um revisionismo histórico de vingança. Mas enquanto em Bastardos temos uma mulher judia, Shosanna, tomando as rédeas de sua vida para se vingar do vilão-mor, Hitler, aqui temos um escravo liberto, Django (Jamie Foxx), que precisa de um tutor branco para levá-lo a se vingar daqueles que mantém sua esposa, Broomhilda von Schaft (Kerry Washington), cativa. Houve um certo enfraquecimento tanto no poder do personagem quanto no objetivo final (embora essa segunda parte seja difícil de resolver, já que não há uma pessoa que possa encarnar a escravidão como um todo).

A história começa com o alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz) libertando Django e o convidando para ser caçador de recompensas ao seu lado. Ele o treina no tiro e promete que ao fim do inverno irão atrás de sua esposa, que foi vendida para outro fazendeiro, Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). Waltz aqui repete (muito bem) um papel similar ao que interpretou em Bastardos: o homem ao mesmo tempo refinado e bruto. Incomodou-me um pouco o papel de Broomhilda de donzela em perigo, o filme todo esperando ser resgatada, até porque todos os filmes anteriores de Tarantino possuem mulheres fortes e com vontade própria. Talvez isso tenha servido ao propósito de gerar uma motivação ao herói, mas causa um certo desconforto usar a personagem apenas como isca para suas ações.

O começo do filme tem um bom ritmo, mas lá pelo meio, quando os protagonistas partem para Candyland, a fazenda de Calvin Candie, tudo desacelera. Não acho que haveria necessidade de encurtar a duração, como li muitos falando, mas nessa hora, Sally Menke, a editora de Tarantino que faleceu em 2010, fez falta.

O resultado final é bastante satisfatório: longe de ser um Bastardos Inglórios, mas muito longe do desastre que tem sido propagado.

Obs: Até a fonte utilizada no cartaz é igual ao do Django original, de 1966. Não existe direitos autorais para essas coisas? 😛

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