Robocop – O Policial do Futuro (Robocop/1987)

Assistido em 05/07/2013

Quem me acompanha desde a época dos informais tuitadas sobre filmes sabe que eu tenho um problema grave na minha formação cinéfila: todo filme que era considerado ter algum conteúdo violento era vetado na minha infância. Por isso uma geração de filmes hoje clássicos passou batida para mim, já que violência era a palavra chave na década de 80. Recuperar isso é um trabalho lento, mas já venci os três Mad Max, um Highlander (e não verei mais nenhum, ruim demais), três Máquina Mortífera e três Duro de Matar (acho que esse também não vou ver mais nenhum para não estragar). Se não me engano, agora só falta Exterminador do Futuro, para fechar os clássicos.

Bom, dito isso, finalmente assisti Robocop, filme que por tanto tempo desprezei achando ser mais um no gênero de ação descerebrada. Bom, não é exatamente o conteúdo mais rico, mas é realmente interessante.

Enredo que todos já conhecem: em um futuro distópico, com a sociedade corroída pela criminalidade e a polícia tendo financiamento privado da empresa OCP, Murphy (Peter Weller) é um policial que vai atrás de uma quadrilha junto com sua parceira Lewis (Nancy Allen). Sozinhos e sem reforço por perto, acabam emboscados e Murphy é cruelmente assassinado. Um dos executivos da OCP possui um projeto para criar um policial invencível, que não precisa descansar nem se alimentar, vivendo na luta contra o crime. Murphy é utilizado para testar a tecnologia: seu cérebro ainda apresentava atividade e sua cabeça foi colocada em um novo corpo bio-mecânico. Foi reprogramado, mas apesar disso, lembranças de sua vida anterior continuam vindo a tona.

É notável como o filme reflete a paranoia que inundava a sociedade americana daquela década em relação à violência urbana nas grande cidades. Os índices haviam escalonado ao máximo e as previsões eram mesmo apocalípticas. Nessa situação soluções que beiram o fascismo emergem com a desculpa de solucionar problemas. O diretor, Paul Verhoeven ainda acrescenta a esse caldeirão a crítica à mídia institucionalizada (também presente em seu Tropas Estelares), pois as emissoras de televisão transmitem apenas programas humorísticos estilo Zorra Total e telejornais que mais omitem do que informam (familiar, não?). A violência retratada não é gratuita e impressiona muito, mesmo pros padrões atuais.

O design do corpo do robocop é muito bom. Hoje em dia o visual desse tipo de tecnologia sempre vai em duas direções: o aço-escovado-liso-geladeira ou o branco-apple. Aqui temos um peça que não só parece como tem que ser funcional (afinal, o ator tinha que vesti-la) com detalhes que conferem realismo e fazem parecer que são realmente peças que têm funções específicas. Quando Murphy tinha seu capacete e deixa a mostra sua cabeça no corpo de robocop, os efeitos especiais são especialmente bons.

A crítica mais interessante que podemos tirar do filme é que Murphy foi duplamente assassinado: primeiro pela criminalidade e depois pelo sistema que a alimenta. Antes de ter assistido ao filme acreditava que José Padilha havia sido chamado para dirigir a regravação que está sendo produzida por conta da violência e pirotecnia de seu Tropa de Elite. Agora percebo que provavelmente foi por conta de Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, já que é fácil traçar paralelos entre ambos os filmes.

No final das contas fico feliz de poder ter apreciado Robocop pela primeira vez agora, com mais maturidade.

robocop_xlg

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  • Ainda não criei coragem pra ver o Robocop clássico, e olha que nos bons tempos eu assiti Mad Max, Highlander, Máquina Mortífera, Duro de Matar…. acho que vou esperar a nova versão (2014). Mas poxa Isa, Exterminador do Futuro com Schwarzenegger (é possível escrever isso sem olhar no google???) é INAPAGÁVEL 😛

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